Merrill Lynch lista 7 riscos para as bolsas

Fatores como uma bolha na China, a disparada do petróleo ou uma onda de protecionismo podem prejudicar os investidores em 2010
 
| 16.11.2009 | 08h35

Nos últimos 18 meses os investidores experimentaram uma das fases de maior volatilidade nas bolsas desde os anos 1990. Esta realidade e os prejuízos dela decorrentes levantaram uma série de questões, mas sem dúvida a principal delas é como monitorar, de agora em diante, a probabilidade de certos cenários de risco ocorrerem - e se proteger antes que eventuais turbulências gerem perdas nos mercados.

As opiniões dos analistas e do mercado quanto ao futuro divergem entre os que acreditam na formação de uma nova bolha em diversos países, dentre eles a China, e aqueles que apostam na iminente deterioração dos preços de ativos levando à desestruturação do mercado de ações. Economistas, empresários e investidores voltam os olhos para a Ásia, a Europa e os Estados Unidos, atentos aos movimentos destas economias e seus reflexos nos mercados globais, e tentam prever cenários para 2010.

O banco de investimentos norte-americano BofA Merrill Lynch listou sete conjunturas que, apesar de terem baixa probabilidade de ocorrer, podem impactar significativamente o portfólio dos investidores no próximo ano. Os analistas também identificaram os sinais que indicariam a concretização destes cenários e incluíram as melhores opções de investimentos para cada um dos casos estimados.

1 - Petróleo a 100 dólares por barril e aumento da inflação
O cenário para este caso inclui um aumento do índice americano de preços ao consumidor de -1% para 4% no fim de 2010, resultado de uma combinação de expansão monetária, novos declínios do dólar e um forte crescimento na Ásia. Esta conjuntura pode pressionar o preço do barril de petróleo para patamares próximos dos 100 dólares. O salto na inflação complicaria o financiamento do déficit orçamentário dos Estados Unidos.

Os principais indicadores apontados pelo Merrill Lynch para observar o surgimento de tal cenário seriam o aumento da expectativa da inflação para os próximos cinco anos nos Estados Unidos, passando de 1,5% para 2,5%, acompanhado de um aumento no preço do ouro, chegando a 1.250 dólares a onça (aproximadamente 28 gramas).

Para se proteger desse cenário o banco recomenda que os investidores recorram aos títulos públicos indexados à inflação e às aplicações em ouro, commodities e moedas. O banco também recomenda a baixa exposição a setores sensíveis à oscilação da taxa de juros, como o de consumo, e a maior exposição a ações com boa remuneração por dividendos. Pelo menos no início deste hipotético período de inflação, as commodities teriam uma performance superior aos títulos.

2 - Um forte declínio do crescimento
Outro risco para o mercado seria haver, nos próximos quatro trimestres, o retorno da retração do Produto Interno Bruto (PIB) nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa. Para os analistas da Merrill Lynch, esta realidade seria ocasionada por erros na condução da política nestes países. Um dos exemplos é a possibilidade de que as autoridades promovam uma rápida retirada das políticas de estímulo - sem que as economias esteja saudáveis o suficiente.

O cenário inclui ainda a possibilidade de declínio dos empréstimos bancários para pequenas e médias empresas, provavelmente devido a um futuro excesso de regulação financeira. A queda das taxas de juros dos títulos americanso seria um sinal de que os bancos estão mais dispostos a aplicar o dinheiro do que a ampliar a carteira de crédito.

Neste caso, as melhores opções dos investidores seriam o dólar e os títulos americanos. É esperado, neste cenário, que os títulos superem as ações em rendimento. Considerando o mercado acionário, os papéis de setores mais defensivos, como energia e bancos, ofereceriam maior rendimento que os de setores cíclicos, como tecnologia e commodities.

3 - Uma bolha nos preços dos ativos na China
O terceiro risco que os analistas do Merrill Lynch enxergam é o de que os preços dos ativos na China aumentem demais. Este cenário seria agravado pela relutância da China em reavaliar sua taxa de câmbio e com o aumento da especulação no mercado imobiliário na China.

Sinais de que a bolha poderia ser real seriam a valorização da bolsa de Xangai para um patamar acima de 4.000 pontos e a apreciação do dólar australiano.

Caso a bolha se confirme, os investidores poderiam recorrer aos mercados de ações dos países do BRIC, às moedas asiáticas e às commodities. Segundo os analistas, o mercado de opções na China e na Coréia também poderia beneficiar os investidores à procura de lucros com a bolha na China (Continua).


 


 

 
 
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