Uma máquina de perder dinheiro

Romário perdeu em poucos meses a fortuna amealhada durante décadas. Saiba o que você pode aprender com isso
Fabio Motta
Os tropeços financeiros de Romário renderam a ele dívidas estimadas em 8 milhões de reais
 
Por Francine De Lorenzo e Marcio Orsolini | 06.08.2009 | 08h53

Os altos salários e as contratações milionárias no futebol são um belo atrativo para um crescente número de aspirantes a ídolos dos gramados. São poucos, entretanto, os jogadores que conseguem se destacar nesse mercado tão competitivo. Entre eles, está o carioca Romário de Souza Faria, de 43 anos, craque da conquista do tetracampeonato pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 1994. Durante mais de 20 anos de carreira, o "Baixinho" faturou milhões no Barcelona e no holandês PSV e foi um dos jogadores mais bem pagos do país entre 1999 e 2001, quanto recebia a bolada mensal de 450.000 reais mensais atuando pelo Flamengo e pelo Vasco.

Considerado o melhor jogador do mundo em 1994 pela Fifa, Romário não se mostrou o mesmo craque como administrador de fortunas. Suas economias são insuficientes hoje para quitar as dívidas, estimadas em cerca de 8 milhões de reais. O passivo foi acumulado em 28 derrotas sofridas na Justiça do Rio de Janeiro - entre ações cíveis, trabalhistas e tributárias. A tendência é de que novos débitos surjam ao longo dos próximos anos, quando o ex-jogador deverá responder a mais de 40 processos ainda em curso.

O afundamento em dívidas é resultado de uma sucessão de tropeços na administração das contas. Veja a seguir os oito principais gols contra do "Baixinho" - e as lições que você pode tirar disso.

1) Driblar o Fisco
O ex-jogador foi desarmado ao tentar driblar o Fisco. Em sentença do dia 9 de junho, conforme determinação do juiz da 8ª Vara Criminal Federal, Gilson David Campos, Romário foi condenado por deixar de declarar à Receita Federal mais de 1 milhão de reais entre 1996 e 1997, quando era garoto-propaganda da Brahma e jogava pelo Flamengo. Ele foi condenado a três anos e meio de prisão por crime tributário, além de ter de pagar uma multa de 1,7 milhão de reais. A pena, no entanto, poderá ser substituída por prestação de serviços comunitários, já que o "Baixinho" é réu primário e a condenação é inferior a quatro anos. Seus advogados ainda recorrem da decisão.

Comentário do consultor financeiro Mauro Calil, do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil: Foi-se o tempo em que era possível esconder algo da Receita Federal. A pressão do governo federal por maior arrecadação e os crescentes investimentos em informatização, aliados a leis que buscam a prevenção de lavagem de dinheiro e sonegação, permitem que a Receita cruze dados de consumo e renda dos contribuintes a partir do número do CPF. Com esse levantamento em mãos, servidores cada vez mais treinados e motivados fazem o trabalho que pode resultar em multas e condenações. Acordos internacionais que surgiram após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos também permitem a troca de informações e o mesmo tipo de cruzamento de dados com outros países.

2) Dar um chapéu na pensão alimentícia
Romário é reincidente em tentar dar um chapéu no pagamento da pensão alimentícia dos filhos - e se dar mal. No mês passado, ele chegou a ser preso por atrasar a pensão que deveria ser paga a Mônica Santoro, com quem tem dois filhos: Moniquinha, de 19 anos, e Romarinho, de 15. Em 2004, ele já havia sido detido pelo mesmo motivo em ação movida pela mesma Mônica. Na ocasião, Romário ficou seis horas detido. Desta vez, o tempo na delegacia foi maior: 22 horas. O ex-jogador havia deixado de depositar 90 000 reais na conta de Mônica. Na audiência de conciliação, chegou com o comprovante do depósito e foi liberado.

A batalha judicial entre os dois, no entanto, ainda está longe de terminar. Romário pretende reduzir o valor de 18.000 reais mensais pagos aos filhos. Além da pensão, Mônica briga na Justiça também por parte dos bens do ex-jogador como dois terrenos no Recreio, um prédio em Vista Alegre e três apartamentos na Barra da Tijuca. Um desses apartamentos foi à leilão no dia 28 de julho, pelo valor de 8,9 milhões de reais. Já o ex-jogador acusa a ex-mulher de usar o dinheiro da pensão para pagar cirurgias plásticas e compras de roupas e sapatos.

Comentário de  Mauro Calil: Da mesma forma que o casamento traz estabilidade aos cônjuges, gera despesas também. A separação transforma a vida de pai, mãe e filhos em uma constante disputa, seja financeira ou emocional, com desgaste para todos. A energia que antes era usada para construir agora será gasta para não perder. A pensão para todos os filhos menores e, em alguns casos, para dependentes de até 24 anos será decidida pelo juiz levando em consideração diversos fatores, como o estilo de vida e a condição social antes da separação. O limite da pensão é de 30% da renda de quem paga a pensão. A pensão alimentícia é uma dívida e seu não-pagamento pode resultar em condenação de reclusão. (Continua)


 



 


 
 
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