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Geração Futuro lança banco de investimentos

 | 14.05.2008 | 17h11

Corretora vai abrigar no banco a área de gestão de recursos de terceiros, que é responsável hoje por 80% de seus negócios

 

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Por João Sandrini

EXAME 

Muita coisa mudou no mercado financeiro brasileiro desde que a Geração Futuro lançou seu primeiro clube de investimentos, em novembro de 2000. Mesmo sendo uma das corretoras mais populares da Bovespa, a instituição demorou mais de cinco meses para conseguir reunir os 150 cotistas que formariam o clube pioneiro. Muitos desses investidores eram familiares e amigos dos próprios funcionários da corretora. Quem colocou seu dinheiro no clube, entretanto, não pode estar descontente. O retorno acumulado em menos de oito anos alcançou 1.271% - mais do que o triplo do Ibovespa.

A corretora gaúcha também colheu frutos dos lucros alcançados por seus clientes. Atualmente, 150 é o número de pessoas que procuram a corretora a cada dia com o objetivo de investir na bolsa. O volume de recursos sob gestão da Geração Futuro cresceu de 200 milhões de reais em 2002 para 6,9 bilhões ao final do mês passado. Já o número de clientes de seus fundos e clubes de investimento avançou de 1.400 para 57.000 no mesmo período. O crescimento foi tão expressivo que a área de gestão de recursos já representa 80% dos negócios da Geração Futuro – instituição que nasceu como corretora em 1994.

Para aproveitar melhor o potencial desse mercado, a Geração Futuro vai anunciar nesta quinta-feira (15/05) a criação de um banco de investimento. Inicialmente a nova instituição financeira vai englobar a área de gestão de recursos de terceiros, que será separada da corretora. O banco nascerá com um capital de 20 milhões de reais e terá 150 funcionários – contra 70 que continuarão na corretora.

Como banco, a instituição poderá diversificar sua atuação. Além do foco nos investimentos em renda variável, a Geração Futuro quer oferecer aos seus clientes a possibilidade de investir em fundos de private equity com uma aplicação mínima de 100 reais. O dinheiro levantado pelo fundo seria utilizado para comprar participações em empresas que tenham ou não ações em bolsa. Após um período de maturação pré-estipulado, os cotistas poderiam se desfazer das participações por meio de um IPO (oferta inicial de ações) ou com a venda da participação acionária a um terceiro. Outras futuras formas de atuação do novo banco de investimentos serão o lançamento de um fundo de small caps (empresas com baixo valor de mercado) e de um fundo de renda fixa para pessoas jurídicas, além da assessoria de fusões e aquisições e operações de IPO.

Apesar da atuação mais abrangente, a empresa quer manter a mesma fórmula que utilizou nos últimos anos para atrair clientes. A Geração Futuro permite investimentos em renda variável a partir de 100 reais, com atendimento personalizado. Boa parte dos funcionários da empresa são ou foram analistas de mercado – e sabem vender produtos de renda variável aos clientes. E a composição dos fundos é divulgada semanalmente pela instituição – o que aumenta a transparência das operações. “Assim como os times pequenos que disputam o Campeonato Paulita, nós jogamos no erro dos grandes”, afirma Edmundo Valadão Cardoso, sócio da Geração Futuro. “Oferecemos aos clientes o que os grandes bancos não conseguem dar.”

A Geração Futuro tem escritórios em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. O atendimento é feito majoritariamente por telefone ou internet. Os recursos geridos pela empresa estão hoje divididos em fundos e 40 clubes de investimento. Os fundos de ações cobram taxa de administração de 4% ao ano. Quando o cliente quer ficar de fora da bolsa, ele pode optar por um único fundo de renda fixa que tem taxa de 0,6% - uma das menores do mercado.

A cultura da instituição é de investir principalmente em empresas mais sólidas, negociadas com múltiplos baixos quando comparados aos de outras companhias da Bovespa. Empresas que chegaram à bolsa com valores de mercado muito superiores ao seu lucro dificilmente atraem o interesse da Geração Futuro. Seus fundos e clubes ficaram de fora dos IPOs do ano passado. Em ofertas de ações como da Bovespa Holding, que atraiu um grande número de pessoas físicas, a Geração Futuro foi vendedora.

A instituição também tem por hábito concentrar seus investimentos em poucas ações. É uma das maiores detentoras de ações preferenciais (sem direito a voto) de empresas como Usiminas, VCP, Bradespar e Randon. Além de concentrado, o capital costuma ficar bastante tempo investido em um ativo – o giro é bastante baixo. Esse modelo conseguiu atrair investidores como Lirio Parisotto, dono da fabricantes de CDs e DVDs Videolar. O empresário, um dos maiores investidores da Bovespa, tem hoje mais de 1,5 bilhão de reais sob a gestão da Geração Futuro. Até agora a estratégia tem funcionado, e não apenas para os grandes investidores. A Geração Futuro entregou a seus clientes nos últimos anos uma rentabilidade média de 50% ao ano. Com percentuais como esse, se os bons ventos continuarem a soprar na Bovespa, o futuro do novo banco de investimentos dificilmente não será promissor.

Publicado por Eduardo de Beauclair Seixas (15/05/2008 - 20:32)


A estratégia da Geração Futura é excelente e bastante segura, uma vez que e corretora se compromete com a gestão da empresa comprando participações. EM relação ao comentário feito pelo Tiago C.Oliveira, gostaria de conhecer a estratégia de investimentos que rende 1% a.. "sem depender do governo e instituições privadas" a que ele se refere.

Publicado por Tiago César Oliveira (15/05/2008 - 17:16)


Quem entrou no mercado nos idos de 2002 se deu muito bem. Mas ainda hoje há excelentes oportunidades na bolsa, especialmente para investidores agressivos que pretendem fazer do mercado de ações a garantia para sua aposentadoria, sem depender do governo e instituições privadas, contando apenas com o rendimento do montante aplicado em investimentos seguros com retorno médio de 1% a.m.
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