busca
 

Crise corta pela metade os bônus pagos pelos bancos no Brasil

Bancos, corretoras e gestoras de recursos mudam seus planos de negócios para se adaptar à crise
| 22.12.2008 | 10h48

Portal EXAME - 

Quem trabalha no mercado financeiro no Brasil hoje vive um frustrante momento de transição. Depois de passar alguns anos recebendo bônus estratosféricos e inúmeras ofertas tentadoras de emprego, a rotina agora é de demissões e salários em queda. Em apenas três meses, de setembro a novembro, centenas de funcionários – de estagiários a altos executivos – foram demitidos de bancos, corretoras e gestoras de recursos no país, e tudo indica que os cortes vão continuar em 2009. Estimativas de consultorias de recursos humanos indicam que os bônus que serão pagos entre janeiro e março devem ser 50% menores do que os deste ano – e há casos de profissionais que não vão ganhar qualquer remuneração extra, algo impensável poucos meses atrás. “A realidade mudou bastante. O volume de trabalho está menor e todas as instituições estão passando ou vão passar por cortes” diz um ex-diretor do Credit Suisse, que foi demitido em outubro depois de a área em que trabalhava, a do banco de investimento, passar por um corte de 30%, segundo ele (oficialmente, o Credit não confirma as demissões).

O grande baque está sendo sentido pelos bancos de investimento, em razão da drástica queda das operações de abertura de capital, oferta de ações e fusões e aquisições, seus principais negócios. Houve apenas quatro IPOs na Bovespa em 2008, por exemplo – no ano anterior, haviam sido 64. Além disso, as fusões e aquisições movimentaram 81 bilhões de reais no ano até outubro, 43% menos que em 2007. Mas também há problemas nos bancos médios e nas gestoras de fundos, especialmente nas independentes. As receitas das gestoras dependem de quanto capital elas administram – e muitos investidores, depois de amargar perdas consideráveis em aplicações mais arriscadas nos últimos meses, resolveram investir em títulos públicos, CDBs ou fundos mais conservadores, que geram poucas receitas. Segundo a Anbid, as carteiras de ações e multimercados perderam quase 4 bilhões de reais só em novembro. “Os gestores dificilmente conseguirão recuperar esse dinheiro, porque a maior parte migrou para os CDBs, que costumam ser aplicações de prazos longos”, diz Marcelo Pereira, sócio da consultoria Tag Investimentos.

Diante do cenário mais complicado, bancos e gestoras independentes, como BNP Paribas, Hedging-Griffo e Mauá, demitiram ou acertaram a saída de funcionários nos últimos meses. Na Link Investimentos, de São Paulo, a alternativa foi “aproveitar a crise para contratar gente boa por salários mais razoáveis do que aqueles que vinham sendo pagos”, diz Daniel Mendonça de Barros, sócio da Link. Nos últimos três meses, a empresa demitiu 25 profissionais – em geral, de altos salários – e contratou 24. “Também inauguramos um escritório em Curitiba, para atrair clientes para o home broker, que ainda está gerando resultados atraentes”, diz ele, que espera uma queda de receitas de cerca de 20% em 2009.

Consolidação

Outro movimento que está ocorrendo entre as gestoras independentes é o de consolidação. Em dezembro, as cariocas Mandarim Investimentos e Máxima Asset, por exemplo, decidiram unir suas operações. A Plenus Gestão, especializada em renda variável, busca desde outubro se associar a uma gestora de renda fixa, para ampliar a gama de produtos oferecidos aos investidores. “Não há como atuar sozinho com um baixo volume de recursos. A saída é a consolidação”, diz Eduardo Coutinho, gestor da Plenus.

Nos bancos médios, um dos problemas é a diminuição da margem de lucro gerada pelas operações de crédito consignado. Os juros desse tipo de crédito são baixos, de cerca de 2% ao mês. Isso significa que, para ter lucro, os bancos precisam captar dinheiro de forma barata – o que se tornou impossível com o choque de liquidez provocado pela crise mundial. Assim, bancos como BMG, Cruzeiro do Sul, Panamericano, Pine e Schahin, reviram seus planos de negócios, reduziram suas áreas de empréstimos consignados e demitiram centenas de funcionários. “O nome do jogo era escala. Agora, é liquidez. Fomos obrigados a reduzir a estrutura para conseguir manter a rentabilidade”, diz Luis Octavio Índio da Costa, presidente do Cruzeiro do Sul, que demitiu 174 empregados entre setembro e outubro.

O ano de 2009 deve marcar a quebra de uma seqüência de sete anos seguidos de expansão do mercado de trabalho no setor bancário. Entre setembro e novembro deste ano, houve 3.224 demissões, um aumento de 32% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

 
 
Destaques do Portal EXAME
Terminal de pagamento da Redecard
 
 
busca
Copyright © 2008, Editora Abril S.A. -
Todos os direitos reservados. All rights reserved.