Domando a bolha
De acordo com o americano The Wall Street Journal (WSJ), a bolha começou a ser gestada quando bancos centrais de todo o mundo baixaram fortemente os juros para reativar a economia, depois da eclosão da recente crise. Os governos também injetaram bilhões de dólares no sistema financeiro para aliviar o sumiço do crédito. O efeito colateral dessas medidas foi detonar uma corrida por outros ativos, como ações e imóveis, cujos preços subiram além do que os fundamentos econômicos atestam como razoável. "Este é o começo de outra grande e excessiva corrida de preços dos ativos", afirma Simon Johnson, ex-economista-chefe do FMI.
O WSJ diz ainda, que os economistas são mais hábeis em detectar os sinais de formação de uma bolha, do que em controlá-la. "Esta é uma das questões em aberto até o fim da crise", afirma Adair Turner, presidente da Autoridade Britânica de Serviços Financeiros.
Por ora, os países tentam conter a bolha com medidas regulatórias. Em Singapura, por exemplo, foram estabelecidas regras mais rígidas para o mercado de hipotecas, e os estímulos públicos ao mercado imobiliário terminaram. Na Coréia do Sul, foram adotados critérios severos para a concessão de financiamento imobiliário em sete distritos ao redor de Seul onde os preços dispararam.
A eficácia das medidas, porém, ainda é duvidosa. "Mesmo os que dizem que devemos combater a bolha diretamente não têm idéia de como fazê-lo", diz Laurence Meyer, ex-diretor do banco central americano, o Fed.
Enquanto isso, cerca de 53 bilhões de dólares está indo para fundos de ações de mercados emergentes, conforme o EPR Global, um instituto de pesquisas. Os recursos catapultam o mercado de capitais desses países, com destaque para o Brasil e a Indonésia. "Isso aumenta o risco de uma bolha no mercado de capitais e de propriedades nesses países", afirma Stephen Cecchetti, economista-chefe do Banco Internacional de Liquidações, o chamado banco central dos bancos centrais.