A crise econômica mundial, que começou com o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, pode desembocar ironicamente em uma nova bolha. Os sinais de valorização acelerada de vários ativos, como o ouro, imóveis e ações, principalmente nos mercados emergentes, já despertam a preocupação das instituições internacionais. Nesta semana, o Banco Mundial alertou que o súbito investimento de bilhões de dólares no Leste Asiático "aumenta a preocupação sobre uma bolha no preço dos ativos" no mercado de capitais, bem como dos imóveis na China, Hong Kong, Singapura e Vietnã.
Também nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) citou o risco do aparecimento de uma bolha em Hong Kong, pois o preço dos ativos está subindo devido a um fluxo de capitais "divorciado dos fundamentos da oferta e da procura". O valor dos imóveis locais, por exemplo, está disparando. Apartamentos de luxo são vendidos por 55,6 milhões de dólares, e recentemente, um comerciante chegou a pagar mais de 63.000 dólares por um estande de 37 metros quadros para vender petiscos durante a festa do Ano Novo chinês.
A escalada de preços é vista também em outros países, como Singapura, onde o valor dos imóveis subiu quase 16% no terceiro trimestre. São cada vez mais comuns, no país, histórias como a de um incorporador de um condomínio que elevou em 5% o valor das unidades um dia antes do lançamento, estimulado pelo forte interesse dos investidores.
Na Austrália, um sintoma da bolha é a valorização de 35% do dólar australiano nos últimos 12 meses. O fortalecimento da moeda local é causado pelos investidores, que tomam dólares americanos emprestados para comprá-la. Os imóveis australianos também devem dobrar de preço nos próximos 12 anos, de acordo com consultores locais.(Continua...)