A bolsa voltou a liderar o ranking dos melhores investimentos em julho e os analistas aproveitaram para fazer alguns ajustes em suas carteiras. Embora não esteja descartada uma realização de lucros, a expectativa é de que o Ibovespa continue subindo em agosto, podendo bater os 56.000 pontos graças à forte demanda dos estrangeiros por ações brasileiras.
Mesmo com a crise global, os investidores de outros países aplicaram mais de 11 bilhões de reais na Bovespa neste ano, o que incentivou as corretoras a diversificar suas recomendações. O HSBC incluiu em sua carteira as ações da própria BM&FBovespa, que deve continuar ganhando com o aumento no volume de negociações, decorrente também da retomada das ofertas públicas.
Apesar de o foco dos analistas permanecer em setores defensivos, como energia, telecomunicações e saneamento, já há espaço para papéis menos conservadores. A Socopa trocou as ações da Cemig pelas da Embraer após constatar um potencial de alta de 66,67% para os papéis da fabricante brasileira de aviões. A corretora diz que a decisão foi baseada nos resultados positivos da empresa no segundo trimestre, que apontaram melhora nas margens operacionais e perspectivas favoráveis para os próximos trimestres. "A Embraer tem demonstrado versatilidade para enfrentar a crise financeira e parece estar preparada para uma retomada do mercado de jatos executivos", ressalta a corretora em relatório.
Ainda que a demanda por aviões permaneça incerta, argumenta a SLW, há espaço para valorização. A corretora ficou impressionada com o desempenho da Embraer no segundo trimestre, e incluiu as ações em sua carteira sugerida. A melhora operacional, aliada ao fato de que o papel subiu apenas 6% num ano em que o Ibovespa acumula 48% de alta, deve garantir ganhos aos papéis em agosto, avalia a corretora.
Outro balanço que surpreendeu os analistas foi o da Vale, porém de forma negativa. Enquanto o mercado aguardava um lucro líquido na faixa de 4 bilhões de reais, a mineradora apresentou apenas 1,46 bilhão de reais de ganho no segundo trimestre, impactada pela desvalorização do dólar e pela redução no preço do minério de ferro. Apesar do resultado aquém do esperado, as corretoras mantiveram as ações da mineradora entre as suas favoritas. Não pela expectativa de retomada da demanda, que deve permanecer fraca nos próximos meses, mas por sua solidez e confortável posição financeira. (continua)