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Kenneth Rogoff é professor da Universidade de Harvard e ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional. Foi também diretor do Harvard Center for International Development. É um especialista em finanças internacionais e macroeconomia. Robert Hetzel é pesquisador do Federal Reserve, o banco central americano, em Richmond, no estado da Virgínia. Obteve seu doutorado em economia na Universidade de Chicago e se especializou no estudo da atuação de bancos centrais no controle de inflação. Os dois responderam a perguntas da Exame sobre a crise da comida e do petróleo e a atuação dos BCs:
EXAME - O mundo está sofrendo com uma explosão de preços de petróleo e comida. Esse fenômeno aumenta a inflação brasileira. Como a causa do fenômeno é externa, o Banco Central deveria subir os juros ou deixar a inflação crescer dentro da margem de tolerância da meta?
Rogoff - Os bancos centrais de vários países estão percebendo que a inflação da comida e do petróleo é, em parte, conseqüência de uma longa temporada de juros baixos demais, principalmente nos países centrais como os Estados Unidos, a China e os países da União Européia. Acredito que os aumentos de comida e energia são a primeira manifestação de uma dinâmica inflacionária mais profunda. Os bancos centrais serão obrigados a praticar uma política monetária mais dura, com ou sem recessão nos Estados Unidos.
