EXAME
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, será o novo ministro do Meio Ambiente. Ele vai substituir Marina Silva, que pediu demissão nesta terça-feira por acreditar que não tinha apoio político para implementar sua agenda ambiental no governo.
Pela manhã, chegou-se a cogitar que o indicado para comandar a pasta seria o petista Jorge Viana, ex-governador do Acre. Após se reunir com Lula, entretanto, Viana deixou o Palácio do Planalto sem falar com a imprensa.
Na Secretaria de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, o carioca Carlos Minc, 56, ficou conhecido por apressar a liberação de licenças ambientais para as empresas interessadas em investir no estado. Ex- deputado estadual, ao assumir o cargo no Executivo Minc deixou para trás o histórico de ativista e ambientalista que marcou seu currículo e deu aval para o andamento de projetos de companhias como Ambev, Vale e Petrobras.
Trata-se, portanto, de um ministro com um perfil diferente de Marina Silva, que se desentendeu diversas vezes com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) devido ao atraso de licenças de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Durante a gestão Marina Silva, a liberação de obras como as hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio – no Rio Madeira – e a regulamentação do plantio de alimentos transgênicos só aconteceu após pressão do Planalto.
A gota d’água para a saída de Marina Silva foi a decisão do Planalto de escolher o ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, para a coordenação do Plano Amazônia Sustentável (PAS). A ministra, que foi senadora pelo Acre, sempre liderou a ala mais cautelosa do governo em relação ao desenvolvimento de projetos na Amazônia.
“Acho lamentável a saída da ministra”, afirmou Ana Cristina Barros, representante da ONG The Nature Conservancy no Brasil. “Ela trabalhou para que tivéssemos avanços importantes, como a reestruturação do processo de licenciamento ambiental, o cumprimento da lei em casos de corte ilegal da madeira, a concessão de florestas públicas na Amazônia e a elaboração de uma agenda para o mercado de créditos de carbono.”
A saída de Marina também ocorre em um momento delicado para a política externa brasileira. O país tem sofrido pressões de países europeus pelo avanço da soja e do gado na Amazônia, que seriam as causas para o aumento do desmatamento. Muitos políticos europeus acreditam que o avanço das lavouras destinadas à fabricação de biocombustíveis podem empurrar outras culturas – com a da soja – rumo ao norte, chegando a áreas de floresta.
O país também enfrenta pressões devido ao aumento mundial do preço dos alimentos. Apesar de o etanol de milho – e não o de cana-de-açúcar - ser apontado como principal fonte de pressão sobre os preços, as metas de adição de etanol à gasolina podem ser postergadas se o custo dos alimentos continuar em alta – o que prejudicaria diretamente o Brasil.

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