(Reuters) - O governo decidiu taxar com alíquota de 1,5 por cento as operações com recibos de ações brasileiras no exterior, com o objetivo de restringir a migração de investidores do mercado local depois da cobrança de IOF anunciada no mês passado.
Segundo anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quarta-feira, a cobrança busca "equalizar" os mercados.
No mês passado, o governo anunciou a cobrança de 2 por cento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros voltados a renda fixa e ações no Brasil, como forma de tentar conter a valorização do real.
Com a medida, muitos investidores em bolsa passaram a negociar apenas ADRs, para evitar a taxação. Mas outros compravam ADRs com o objetivo de cancelar os recibos, tendo em troca ações no mercado doméstico e, assim, escapando da incidência de IOF.
Representantes da BM&FBovespa queixaram-se ao governo que a taxação aplicada no mês passado impunha um risco ao mercado acionário brasileiro, num momento de forte recuperação após a crise global.
"Quando estabelecemos o IOF, houve a preocupação da bolsa brasileira no sentido de nós estarmos transferindo para Nova York uma parte das operações", disse o ministro.
"Estamos equalizando a situação... Dessa maneira, nós estaremos evitando que haja uma migração de operações do Brasil para o exterior", prosseguiu Mantega.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que "não há mais medidas em consideração neste momento" (Continua...).