Célebre por seus gramados cor de esmeralda e mansões de milionários aposentados, o vilarejo de Rancho Santa Fé, no sul da Califórnia, abriga um morador incomum. Aos 64 anos, considerado um dos mais influentes gurus empresariais da atualidade, o indiano-americano Coimbatore Krishnarao Prahalad não tem tempo para o golfe e os banhos de mar que preenchem a rotina de seus vizinhos. Neste verão no hemisfério norte, C.K. Prahalad vai aproveitar as férias da Universidade de Michigan, onde leciona no programa de MBA, para correr o mundo dando consultorias, fazendo palestras e aprofundando pesquisas para seu novo livro, previsto para ser lançado nos Estados Unidos em 2007. Prahalad não é exatamente uma novidade no mundo dos negócios. Há anos, ele perambula pelo mundo fazendo pregações. No Brasil, pelas próprias contas, já esteve oito vezes. O fato, porém, é que C.K. Prahalad desfruta atualmente de um respeito inédito em sua carreira. Ele é o "descobridor" de tendências mais ouvido pelos presidentes das maiores empresas do mundo. Publicações de negócios americanas já o comparam a Peter Drucker, o maior guru empresarial do século 20 -- o que pode se mostrar, no futuro, um enorme exagero.
O nirvana desfrutado hoje pelo pensador indiano é resultado de suas teses de ontem. Prahalad foi o primeiro representante da elite acadêmica americana a afirmar que as grandes economias emergentes -- leia-se sobretudo os Bric -- mudariam o panorama de negócios mundial e a forma como as grandes companhias operam. É por isso que empresários, executivos e acadêmicos aguardam com alguma ansiedade o lançamento de seu novo livro. Nele, Prahalad se propõe fazer o cruzamento das teses revolucionárias defendidas em seus dois últimos títulos, A Riqueza na Base da Pirâmide e Competindo pelo Futuro. Juntos, eles formarão uma trilogia. "Estou escrevendo sobre a democratização do comércio e a busca global por talento", disse ele a EXAME no escritório de seu casarão de estilo colonial espanhol. Prahalad explica que, com base em estudos de caso como o da Casas Bahia, A Riqueza na Base da Pirâmide desvendou as tremendas oportunidades de mercado oferecidas pelos 5 bilhões de pobres do planeta. Já em Competindo pelo Futuro, ele e seu colega Venkat Ramaswamy descreveram como a globalização e a internet estão sacudindo os mercados e as empresas. Por trás desse terremoto estão dois agentes cada vez menos submissos: o consumidor, pressionando as empresas por inovação, qualidade e preços baixos, e os países emergentes, que, além de oferecer mão-de-obra barata, estão se convertendo num celeiro fértil de novas tecnologias e soluções gerenciais.
"Essa é a nova fronteira do capitalismo", profetiza Prahalad, em seu característico tom de voz grave e pausado, pontuado pelo sotaque indiano. "Nações como Brasil, Índia e China vão mudar fundamentalmente a natureza das grandes corporações." Se ele estiver certo, isso significa que, pela primeira vez, empresas e executivos americanos e europeus serão forçados a aprender com seus pares asiáticos, latino-americanos e do Leste Europeu. Como é de esperar de um legítimo Prahalad, o novo livro deve ser provocativo, dissecando os modelos de negócios dessa nova era -- segundo ele, a chave será combinar alta qualidade com preços radicalmente baixos.
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