Enquanto grandes grupos internacionais avaliam a possibilidade de investir em etanol, comprando ou construindo usinas, o grupo Votorantim marca posição numa área menos concorrida no Brasil, mas fundamental para a expansão do setor, a pesquisa científica de ponta, voltada ao aprimoramento de novas variedades de plantas. O avanço ocorreu por meio da Votorantim Novos Negócios (VNN), braço do grupo criado para prospectar oportunidades. Fernando Reinach, diretor-executivo da VNN, explicou à Exame porque é estratégico para o grupo Votorantim - e para o Brasil - investir em novas tecnologias voltadas à produção agrícola.
Revista EXAME - Por que o grupo Votorantim decidiu entrar no setor de açúcar e de álcool investindo em pesquisa?
Fernando Reinach - A Votorantim Novos Negócios prospecta oportunidades em áreas onde o grupo ainda não atua, mas nas quais o Brasil tem grande potencial. É o caso do agronegócio, em geral, e da cana-de-açúcar, em especial. A cana é a matéria-prima do etanol brasileiro. Hoje a produção se concentra no Centro-Sul do país, principalmente no estado de São Paulo. A crescente demanda para o plantio nessa região está encarecendo o preço da terra e elevando os custos para a construção de novas usinas. No médio prazo, isso vai elevar também o preço do produto final. O Brasil precisa de novas espécies para garantir a expansão da cana, a custos competitivos. Se quiser garantir o surgimento de novos pólos no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, precisará de espécies adaptadas a áreas mais áridas, que hoje não são apropriadas para o cultivo da cana. Para expandir a produção no Centro-Sul, onde a quantidade de terra é cada vez menor, será necessário ter variedades mais produtivas e resistentes a doenças, que possam, na mesma área plantada, oferecer mais litros de álcool. Acreditamos que a pesquisa científica é o caminho para o Brasil expandir a produção.
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