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Não culpe os CEOs por seus salários astronômicos

O que você acha dos pacotes rescisórios pagos a presidentes que, no fim das contas, fracassaram em sua missão? São valores tão generosos que chegam a ser obscenos. Como pequeno acionista e profissional que se mata de trabalhar em troca de um salário razoável, fico furioso com esse tipo de coisa. (Anônimo, Miami, Flórida)
 
Por Jack Welch com Suzy Welch | 08/05/2006

Saiba que você não está só. Certifique-se, porém, de que sua ira esteja voltada para a direção correta -- seu alvo talvez não deva ser o presidente de empresa beneficiado com um farto pacote rescisório. Quando lhe ofereceram aquela soma polpuda, ele se limitou simplesmente a aceitá-la agradecido. Será que foi ganancioso? Pode ser. Porém, na maior parte das vezes, o executivo não passa de beneficiário de uma dinâmica comum e preocupante que começa na sala do conselho de administração. O que nos remete à verdadeira culpada: a alta direção da empresa. É quem está por trás de vários pacotes escandalosos. E por um motivo muito simples: ela não tem idéia de como planejar a sucessão. Uma coisa está intimamente ligada à outra. Sabe por quê? Vários desses pacotes obscenos que tanto o incomodam não foram inventados na hora em que aquele presidente inábil foi demitido. Foram criados muito antes, no momento em que o conselho decidiu contratar um executivo de fora da empresa porque não soube cultivar talentos internamente no decorrer dos anos.

Promover um profissional da casa a presidente não sai barato. O executivo típico escolhido para exercer uma função dessa magnitude recebe um aumento de salário substancial, gratificações gordas atreladas ao desempenho, uma porção de novas regalias e uma sala maior. Mas o negócio fica mais caro ainda no momento em que a empresa se vê obrigada a recorrer a um salvador da pátria que a salve de si mesma. Esse indivíduo recebe em igual medida tudo o que é concedido ao profissional da casa -- além da garantia de um grande prêmio de consolação se falhar. Na verdade, essa última parte do acordo é o que, normalmente, garante o seu cumprimento. Sem essa retaguarda, nenhum estranho se aventuraria a assumir um cargo com tamanho grau de risco.

É claro que nem sempre toda essa confusão em torno de valores rescisórios está necessariamente relacionada a um presidente de fora. Às vezes, um executivo escolhido internamente não dá certo e é mandado embora com mais dinheiro do que aparentemente mereceria. Isso também é irritante, mas a dinâmica a que estamos nos referindo aqui é outra. Começa quando o conselho precisa de um novo CEO e, olhando dentro da própria casa, percebe que se esqueceu de se preparar para esse momento. Recorre então a um headhunter, cuja avidez para preencher o vácuo existente só perde para o nível de pânico que tomou conta do conselho. A dinâmica se completa quando se identifica um candidato aparentemente perfeito -- em geral um profissional que tem um emprego maravilhoso e seguro, e que não pensa em abrir mão dele. A menos, é claro, que lhe proponham um negócio irrecusável.

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