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Bovespa, 50 mil pontos, precisa enfrentar desafio da popularização

| 03/05/2007

Bolsa paulista chega aos 50 mil pontos e bate recordes de rentabilidade, mas lucros ainda estão concentrados nas mãos de poucos

 

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Por João Sandrini

exame

Campeã de rentabilidade nos últimos anos e recém-chegada à marca histórica dos 50 mil pontos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ainda precisa vencer o desafio de tornar-se mais plural e popular. Hoje o mercado financeiro brasileiro permanece como um tabu para mulheres, pessoas de renda mais baixa e moradores de estados fora do eixo Rio-São Paulo. É verdade que o número de investidores experimentou um boom e triplicou no últimos sete anos. O total de 241 mil pessoas físicas, entretanto, representa apenas 0,13% da população brasileira. Além disso, o perfil do negociador de ações pouco tem se alterado. Segundo números da Bovespa, 75,8% dos negócios são realizados por paulistas e fluminenses - os demais 24 Estados e o Distrito Federal juntos respondem por menos de 25% do volume girado. Já os homens representam 78,4% dos investidores com ações custodiadas pela bolsa - número que tem caído menos de 1 ponto percentual ao ano. A Bovespa não tem dados sobre a renda média do investidor, mas a Itaú Corretora, uma das maiores do mercado, afirma que metade de seus clientes têm conta no Itaú Personnalité, unidade do banco voltada para pessoas com renda mensal superior a 5 mil reais.

Com mais de 30 anos de experiência, o diretor-superintendente da Associação Nacional de Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor), Gilberto Biojone, compara o mercado financeiro brasileiro à rede de lojas Tamakavy, aposta fracassada do apresentador Silvio Santos no segmento de varejo. Apesar de vender móveis para um público popular, a rede abriu lojas com uma aparência sofisticada que acabaram vendidas para a Casas Bahia no final da década de 80. "As pessoas olhavam aqueles estabelecimentos bonitos e arrumados e associavam com algo caro, fora de alcance. A mesma coisa acontece com as corretoras. O cidadão comum pensa que negociar ações é difícil, complicado, só para ricos", afirmou. "Parte da culpa é das próprias corretoras, que vivem repetindo que há risco no investimento em ações. Há risco mesmo, mas também há o melhor retorno dos últimos anos."

O presidente da Itaú Corretora, Roberto Nishikawa, também vê grande potencial de crescimento. Ele estima em 3 milhões e 4 milhões de brasileiros o público-potencial do mercado acionário. Segundo ele, há alguns anos faltava apenas a queda da taxa dos juros para a bolsa deslanchar. Mas com a Selic (taxa básica da economia) a 12,5% ao ano e tendência de baixa, ele acredita que dentro de cinco anos a bolsa possa ter 1 milhão de investidores pessoas físicas. "Antes estava muito fácil conseguir uma rentabilidade de até 20% ao ano. Bastava deixar o dinheiro em um fundo de renda fixa que os juros altos garantiam esse retorno", afirmou. "É preciso criar uma nova cultura entre investidores."

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