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Novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, está longe do consenso

| 27/03/2006

Fortalecimento da facção heterodoxa do governo desagrada os profissionais do mercado financeiro

 

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Por Cláudio Gradilone e Giuliana Napolitano

"A queda já era esperada, e a demora gerava instabilidade", diz Elói Dantas do Santos, economista da corretora de câmbio paulista Intercam. A grande questão, agora, é saber qual postura será adotada pelo novo ministro. "Mantega vai manter a agenda do Palocci ou fará mudanças heterodoxas? É preciso esperar algum tempo para dizer.", diz Santos. As expectativas dos últimos dias já tinham elevado as cotações do dólar para 2,20 reais. Segundo ele, não se descarta a hipótese de o dólar subir um pouco mais até haver alguma definição sobre a política econômica.

Outros profissionais de mercado demonstram mais ceticismo. Um premiado administrador de fundos paulista, que não quer ter seu nome divulgado, diz que a ascensão de Mantega eleva o risco de o governo ser mais permeável a sugestões heterodoxas. "Palocci sempre atuou como uma voz moderada dentro do governo e barrou propostas de aumento de gastos e redução do superávit primário", diz ele. "Com sua saída, imagina-se que essa vertente técnica vai perder força dentro do governo, o que é ruim para o mercado."

Não por acaso, os números mostraram uma forte piora nos últimos dias devido à incerteza do mercado. A taxa de juros para janeiro de 2010 negociada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) subiu de 13,90% para 14,70% ao ano. "Na ponta do lápis, é uma alta de 3,5 pontos percentuais nos juros, o que é muito para um cenário de inflação estável", diz o administrador. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com uma leve alta de 0,17%, bem abaixo dos níveis máximos do dia, e o risco-país subiu 0,4%, para 233 pontos-base.

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