Na empresa do gaúcho Flávio Porto, de 36 anos, um dos custos mais importantes é o preço da ração para cachorros -- sua empresa, a Protecães, consome 40 toneladas de ração por mês para alimentar mais de 2 200 cães em 546 cidades brasileiras. No interior do Rio Grande do Sul ou nos confins de Rondônia, os rotweillers e pastores alemães da Protecães são alugados para empresas que os utilizam na estrutura de segurança que protege seu patrimônio. "São cachorros grandes e fortes, que comem bastante", diz Porto.
Em 2008, a Protecães faturou 20 milhões de reais -- uma receita dez vezes maior do que a obtida apenas três anos antes. Construtoras à procura de proteção para canteiros de obra e shopping centers estão entre alguns dos principais clientes. O grande salto de crescimento aconteceu depois que Porto conquistou as operadoras de telefonia celular, que encontraram na cachorrada uma alternativa para proteger torres de transmissão muitas vezes situadas em locais de difícil acesso, como no alto de morros ou no meio de terrenos desocupados. "As telefônicas fizeram a Protecães deslanchar", diz Porto.
Hoje, mais de 40% do faturamento da Protecães vem das empresas de telecomunicações, como Vivo, Claro, Embratel e TIM. Os cães costumam ficar soltos nos cercados em torno das torres de telefonia. "O custo dos cães representa um terço do que gastaríamos com vigilantes, e muitos desses locais nem têm estrutura para a permanência de pessoas", diz o executivo de uma grande empresa de telefonia que utiliza o serviço da Protecães em 16 estados brasileiros. A mais recente experiência dessa telefônica com os cães se deu em Mato Grosso do Sul. "Em cinco meses, tivemos um prejuízo de 750 000 reais, causado por vandalismo", diz o executivo. "Os cães acabaram com o problema."
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