Recentemente, li num livro que um palhaço de circo se revela já por volta dos 3 anos de idade. A criança, devidamente maquiada e trajada, é praticamente atirada ao picadeiro. Caso não volte chorando, está pronta: é um verdadeiro palhaço circense. Se chorar, é porque não tem jeito para a profissão.
Foi bem assim comigo. Meu pai pintou a minha cara, me vestiu e me empurrou para o picadeiro. Virei o palhaço Leiteninho - escrito assim mesmo, tudo junto. O nome era porque eu era pequeno e também porque adorava esse leite, que comia de colher, direto do pote.
Meu pai fez tudo certo - mas se esqueceu de me falar sobre a opção de chorar para não ter de encarar aquela responsabilidade. "Vá, filho", disse-me ele. "A partir de agora você é um palhaço, um excelente palhaço. Vá e mostre a todos." E eu, não sabendo que podia desistir, vivi uma grande fase da minha vida, em que até os 13 anos fui uma das estrelas do circo Sul América.
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