Para muitos empreendedores, poucas coisas podem se tornar tão complexas quanto manter uma comunicação eficaz com a área de tecnologia da informação - aquele lugar onde as pessoas parecem usar um código secreto que só elas são capazes de decifrar. Mas não tem jeito. É impossível viver sem elas - e isso é muito bom. A tecnologia da informação está por toda parte - e vai estar mais ainda, na medida em que seus custos vêm se tornando cada vez mais acessíveis aos pequenos e médios negócios. Na prática, trata-se da redução expressa na famosa Lei de Moore, que a( rma que a cada 18 meses dobra o poder de processamento dos microchips e, por isso, os preços caem à metade. Conforme os equipamentos se tornam mais compactos e mais baratos, grandes empresas fornecedoras de TI, como Oracle e Microso1 , desenham produtos mais acessíveis a pequenas e médias empresas - como programas que podem ser usados pela internet mediante o pagamento de assinaturas e sem a necessidade de comprar o so1 - ware dentro de uma caixinha. Além disso, há um número crescente de serviços de tecnologia da informação grátis que podem ser simplesmente baixados da internet.
Nesse cenário, para que o palavreado difícil deixe de ser um empecilho e se traduza em mais competitividade para os negócios, cabe aos donos das pequenas e médias empresas tornar produtivo o diálogo com os pro( ssionais de TI - sejam eles do suporte técnico, do fornecedor de soluções ou do integrador de projetos. Como especi( car um serviço ou produto sem conhecer os últimos lançamentos? Como pedir algo que, às vezes, não se sabe ao certo se existe nem que nome tem? E como cobrar pela execução de processos inescrutáveis? A reportagem de EXAME PME ouviu dezenas de pequenos e médios empresários bem-sucedidos para saber como melhorar essa relação. Todos - mesmo os donos de negócios do setor - enfrentam esse desafio. Alguns desenvolveram métodos próprios de lidar com os técnicos. Dos depoimentos extraiu-se um pequeno manual com práticas consideradas boas para os dois lados. Conheça algumas delas:
"Eu não preciso saber por que ou como" Frases inteiras ditas por especialistas em tecnologia podem ser facilmente incompreendidas. Por isso, a menos que você entenda do assunto o sufi ciente para manter a conversa no planeta Terra, deve-se evitar perguntas que a levem para outra dimensão, onde habitam seres como Sysprog, Cobit, SaaS e DNS. As mais perigosas começam com "por que" ou "como". Perguntar por que o servidor do site não está funcionando, por exemplo, normalmente leva a três tipos de situação. A melhor é quando o profi ssional de TI que não tem a resposta fala a verdade, pois um diálogo que nem deveria ter começado se encerra com um "não sei", liberando-o logo para solucionar o problema. A segunda é quando o técnico não sabe o real motivo e inventa algo que quem perguntou não entende ou não tem condição de checar, como: "O servidor caiu porque o tunelamento de I.P. causado pela campanha de descontos de Natal deixou o sistema intermitente". Dito isso, o profi ssional está liberado para tentar ressuscitar o servidor - se é que havia algo errado com ele. A pior de todas as situações é o técnico saber a resposta e gostar de dar explicações a quem não é do ramo (muitos, felizmente, não gostam). Nesse caso, prepare-se para entrar numa jornada virtual que pode iniciar num certo buraquinho de trás do monitor e terminar num help desk argentino conectado remotamente a uma central de um fornecedor indiano com gente terceirizada no Paquistão. Ouça tudo e faça anotações - afi nal, quem perguntou foi você. Enquanto isso, o site da empresa continuará fora do ar.
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