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Os filhos da mãe natureza

Como cinco pequenos e médios empresários estão desbravando a fronteira de um dos setores mais promissores deste século - o dos negócios voltados para preservar o planeta
 
Por Fabrício Marques | Arlete Lorini | 04/09/2008

Existe, à primeira vista, bem pouco charme em lidar com coisas como esgoto, resíduos industriais e aterros sanitários. Mas é aí que podem estar algumas das maiores oportunidades de negócios para os próximos anos. O aquecimento dos negócios verdes abre oportunidade para que empreendedores transformem boas idéias em empresas capazes de crescer oferecendo soluções para combater os problemas ambientais. Abre espaço, sobretudo, para pequenas e médias companhias que estejam desenvolvendo tecnologias que permitam economizar energia, reciclar o lixo e reduzir a poluição que pode causar o efeito estufa - como é o caso das cinco empresas que aparecem nesta reportagem. Em comum, elas ainda contam com faturamento modesto, grandes perspectivas para o futuro e uma trajetória recente de crescimento que as colocou no radar dos investidores - três das empresas já levantaram recursos vendendo participações a fundos de investimento, confiantes em multiplicar seus ganhos no futuro.

Investidores do mundo inteiro vêm despejando recursos em negócios que prometem ajudar a combater ameaças como o aquecimento global e a elevação do nível dos oceanos, na esperança de que essas empresas emergentes se tornem rentáveis e lucrativas. Segundo dados da consultoria britânica New Energy Finance, os investimentos em energias limpas no mundo somaram cerca de 150 bilhões de dólares em 2007 - 60% mais que no ano anterior. Também em 2007, 16 fundos de private equity foram criados no mundo com o objetivo específico de investir em empresas de energia renovável. Um dos principais desafios que essas empresas enfrentam é encontrar o caminho certo para deslanchar. Apesar de serem ainda jovens, em quase todos os casos desta reportagem já foi preciso corrigir rumos ou refazer o modelo de negócios inicial. Esse não deixa de ser um movimento natural de empreendedores que desbravam um território pouco conhecido, no qual a escassez de exemplos os obriga a aprender na base de tentativa e erro - e no qual sobra espaço para que os negócios pequenos e médios de hoje possam se tornar grandes no futuro.

Dinheiro que vem do lixo Criada há dez anos numa incubadora tecnológica da cidade mineira de Uberaba, a Bioexton viveu, até 2005, uma trajetória típica de pequenas e médias empresas que brotam de uma boa idéia da academia, mas depois encontram dificuldade de crescer. Seus fundadores, Lazaro Sebastião Roberto, de 52 anos, e Eduardo Márquez Palmério, de 41, desenvolveram um produto com grande potencial de crescimento - uma linha de catalisadores que transformam lixo em fertilizantes. Mas pecavam pela falta de experiência na gestão de um negócio. Durante um bom tempo, foi difícil encontrar o rumo do crescimento. Até que, há três anos, o fundo Novarum, da Jardim Botânico Partners, e o Grupo Masa, do empresário Olavo Monteiro de Carvalho, compraram uma participação na empresa e traçaram os planos de expansão. O objetivo agora é vender seus produtos a grandes clientes - como empresas que operam aterros sanitários - para fazer o faturamento passar de 1,2 milhão para 80 milhões de reais anuais até 2011. A Bioexton espera conquistar esses clientes com o argumento de que eles podem transformar um custo - o tratamento do lixo - em receitas, com a venda dos fertilizantes produzidos. "Essa possibilidade de trazer resultados diretos para os clientes é uma característica rara entre as empresas ambientais", diz o executivo Carlos Avelar, que recentemente assumiu a gestão da Bioexton.

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