Munidos de uma idéia, da certeza de que ela é sensacional e da fé absoluta em si mesmos (e, em muitos casos, apenas dessas três coisas), empreendedores são pessoas capazes de chegar até onde a maioria nem tenta ir. Eles não costumam hesitar demais para colocar todas as economias da família em projetos que, muitas vezes, não são mais que uma promessa. É comum, durante o estágio embrionário, que suas empresas sejam erguidas sobre bases financeiras improvisadas, como cheque especial, dinheiro da venda do carro ou empréstimos de parentes. Chega uma hora que essas fontes secam -- sobretudo para as empresas que conseguem atravessar os primeiros cinco anos, aquele período crítico em que a maior parte delas morre. Sim, pois se tudo correr bem, é certo que, em algum momento, serão necessários investimentos para o empreendimento evoluir. Para os donos de pequenas e médias empresas com potencial de expansão, a boa notícia é que é cada vez maior o número de investidores querendo apostar nelas. "Estamos num período em que não faltam recursos para empreendedores com bons negócios", afirma Marcus Regueira, presidente da Abvcap, entidade que reúne os fundos de capital de risco no Brasil.
O capital de risco -- uma ponte financeira entre investidores que caçam boas oportunidades e negócios com perspectiva de grande valorização -- ganhou uma força descomunal no mundo. Com recursos de poderosas instituições de previdência privada, de bolsas de valores e até de países, alguns fundos aplicam fortunas em negócios que, até há pouco tempo, não lhes interessavam. Para as pequenas e médias empresas brasileiras, o efeito prático é o acesso a um montante recorde de recursos provenientes desses capitalistas. Segundo estimativas da Abvcap, existem cerca de 2,8 bilhões de reais à disposição de pequenos e médios negócios com potencial de trazer retornos fora de série. Como é difícil passar pela peneira dos fundos, só uma parcela menor deve se transformar em investimentos. Os cálculos da Abvcap dizem que essa quantia vai girar em torno de 500 milhões de reais ao longo de 2008. É o triplo do que os fundos investiram em pequenas e médias empresas durante 2007.
Nos últimos anos, cada negócio que se encaixou no perfil procurado pelos fundos recebeu, em média, de 1 milhão a 2 milhões de reais. Do ponto de vista de um pequeno ou médio empresário, a quantidade de dígitos em si não é o que mais importa -- e sim o fato de o dinheiro aparecer no momento em que se precisa muito dele. "Um aporte de capital pode dar o impulso que falta para uma pequena ou média empresa saltar para um novo patamar de crescimento", diz Cláudio Furtado, coordenador do centro de estudos de capital de risco da Fundação Getulio Vargas. Na maioria dos casos, o aporte chega quando se esgotaram todos os recursos para a empresa se expandir por conta própria. Com a entrada de um sócio capitalista, essa aflição dá lugar à execução de estratégias para continuar crescendo -- ampliar as instalações, lançar produtos ou até comprar outras companhias.
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