A CI&T, sediada em Campinas, no interior de São Paulo, levou 12 anos para firmar-se como fornecedora de softwares e serviços para grandes clientes, como Avon e Vale do Rio Doce. Ao pesquisar uma ferramenta para uso interno, César Gon, de 36 anos, presidente da CI&T, desenvolveu, meio sem querer, um novo produto. Mas a inovação não se encaixava no modelo de negócios, baseado na customização, que vinha fazendo a CI&T avançar. Gon e seus sócios viram-se, então, diante de um desafio que não raramente atravessa a vida das pequenas e médias empresas em crescimento -- como dar vida a uma nova oportunidade sem comprometer o negócio original?
A ferramenta criada por Gon permite armazenar códigos de softwares antigos e identificar pedaços que podem ser reutilizados em novos programas. A empreitada exigia investimentos em pesquisa e profissionais especializados naquela área. Na CI&T, a estratégia central era investir no relacionamento com os clientes, compreender suas necessidades e propor soluções a eles. "As estratégias teriam de ser diferentes", diz Gon. "Precisávamos, por exemplo, fazer parcerias com empresas de serviços que eram nossas concorrentes."
Os sócios da CI&T não queriam desperdiçar a oportunidade, mas também não podiam dar prioridade a algo que responderia por não mais do que 10% dos 40 milhões de reais de faturamento obtidos no ano passado. A saída foi incubar o novo negócio na Digital Assets, unidade de negócios criada em 2003 para, caso prosperasse, tornar-se uma empresa separada no futuro, o que aconteceu em 2006.
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