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O missionário da prosperidade

Com marketing de rede e promessa de uma vida melhor, Luiz Francisco Ribeiro Pinto construiu a Omni, um negócio de 45 milhões de reais por ano. Agora, ele lida com os problemas típicos desse sistema
 
Por Luciana Barreto | 12/07/2007

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade."

As reuniões têm como principal objetivo convencer o público novato das vantagens em obter uma loja virtual por 3 990 reais e em aderir a um sistema opcional de comissões em cascata. Ao adquirir uma loja, o comprador pode, por mais 100 reais, convidar outras pessoas a também comprarem seus sites. Nesse caso, ele recebe um percentual por suas indicações diretas e pelas indicações feitas por seus indicados. O sistema de remuneração -- batizado dentro da empresa como "plano de carreira" -- alimenta os testemunhos fervorosos daqueles que alcançaram o topo e dá esperança aos recém-chegados. Entre os especialistas, esse modelo de negócios é conhecido como marketing de rede e está por trás do crescimento de empresas como as americanas Amway e Herbalife. Nos últimos anos, a Omni vem gerando um faturamento anual de cerca de 45 milhões de reais -- e, como é comum nesse tipo de estratégia, agora tem de lidar com o rastro de insatisfação deixado por aqueles que não conseguiram ganhar dinheiro com o negócio.

A empresa foi criada há sete anos pelo paulista Luiz Francisco Ribeiro Pinto, de 31 anos. "Vendi carro e casa para investir num negócio no qual eu acreditava", diz Ribeiro. "Hoje, já temos quase 40 000 lojistas." O produto oferecido pela Omni é um site com um sistema de comércio eletrônico. Os compradores do site podem vender, pela internet, suas próprias mercadorias ou os produtos da Omni -- que vão desde aparelhos de MP3 até televisores de plasma. Nesse caso, o cliente atua como uma espécie de representante. A empresa também obtém receitas com publicidade no seu portal, o Mega Omni -- um shopping online que abriga todas as lojas virtuais -- e com serviços de armazenamento e entrega de produtos dos lojistas. A Omni estimula o contato entre os membros de sua comunidade com treinamentos e encontros. "Com os treinamentos, queremos que os lojistas fiquem mais preparados. Com os encontros, que se conheçam e façam negócios entre eles", diz Ribeiro.

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