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Negócios no universo paralelo

A Kaizen, uma pequena empresa do interior paulista, conseguiu a exclusividade do Second Life no Brasil. O grande desafio é ganhar dinheiro de avatares com poder aquisitivo numa economia virtual
 
Por Luciana Barreto | 09/05/2007

A Kaizen Corp. é uma pequena empresa de tecnologia que existe em duas versões muito diferentes. No mundo real, está instalada num prédio de dois andares em Bauru, no interior paulista. No Second Life -- ambiente virtual com aparência gráfica de videogame que está virando mania --, ocupa um enorme edifício de arquitetura oriental. Dizem os psicólogos que, por meio do avatar (projeção do usuário no Second Life), as pessoas dão vazão a seus desejos. No Second Life (ou SL, como dizem os usuários), o empresário Maurílio Shintati, de 32 anos, expressou o seu -- transformar a Kaizen numa supercorporação. No fim de abril, ao fazer o lançamento da versão brasileira do Second Life, ele deu um passo para tentar realizar essa ambição. "O SL é nosso grande produto hoje", diz Shintati.

A parceria é a primeira do gênero que a Linden Lab, do americano Philip Rosedale, criador do Second Life, faz fora dos Estados Unidos. O negócio foi fechado em sociedade com o iG, responsável por fornecer a infra-estrutura de servidores. Cabe à Kaizen -- que fatura 4 milhões de reais por ano, trabalhando com licenciamento de jogos online e serviços como provedores de acesso e centrais de atendimento -- a tarefa de garantir o dinamismo desse mundo à parte.

Para a Kaizen, os avatares são mais do que projeções que os usuários criam de si mesmos para participar da brincadeira. "Eles são consumidores com dinheiro para gastar", diz Shintati. As receitas virão da movimentação de uma economia peculiar. A moeda em circulação no Second Life é o linden-dólar. Para adquiri-la, o usuário brasileiro pode fazer um câmbio com reais de verdade (até o fechamento desta edição, 1 real equivalia a pouco mais de 130 lindens). Essas operações são intermediadas pela Kaizen, que ganha com o serviço. Outras fontes de renda importantes são a venda de terrenos, as mensalidades de usuários com direitos especiais e os impostos sobre as transações comerciais. "Vamos pelo menos dobrar nosso faturamento no próximo ano", diz Shintati.

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