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Na década de 1940, o economista Joseph Schumpeter apresentou o conceito de destruição criativa, que se caracteriza pela substituição do velho pelo novo por meio de processos inovadores. Apesar de a teoria estar voltada para o mundo empresarial, ela definitivamente se aplica à dimensão pública. Apresentar à sociedade novos modelos, mesmo que confrontando com modelos anteriores e aparentemente já consolidados, é considerado um risco político, pois a inovação leva a novas interpretações, nem sempre aceitas de forma unânime pela sociedade. Daí, destruir de forma criativa não faz parte dos paradigmas de tomadas de decisão no poder público.
No entanto, quando algum evento dessa natureza acontece, e a destruição criativa se mostra em toda a sua plenitude, questiona-se por que isso não foi feito antes. Não foi feito devido ao receio de contrariar posições ideológicas, ao medo da perda do apoio da base, às necessidades de se seguir a cartilha do partido, entre vários outros motivos. Mas, mesmo que eventuais, as ações estão em nossa volta para nos mostrar que arriscar na inovação é possível. Esse fato ocorreu no segundo leilão de concessões rodoviárias no Brasil. Sete lotes foram colocados à disposição de consórcios privados, e cinco foram arrematados por um só consórcio.
No momento que foram divulgados os vencedores, inúmeros questionamentos aconteceram, do tipo: Por que tal consórcio que já opera no Brasil não concorreu em todos os lotes? Por que os valores de pedágios foram tão díspares entre os concorrentes? Por que os vencedores apresentaram um valor de pedágio bem abaixo em relação aos pedágios do primeiro lote? Será que um consórcio sozinho conseguirá investir o que é devido em cinco lotes? Enfim, várias perguntas, mas todas comparando o modelo atual com o modelo anterior. Esse tem sido o grande erro! Simplesmente porque a comparação é o primeiro passo para o aumento dos vácuos de compreensão. E quando existe vácuo, por vezes, a incoerência e a impropriedade analítica o ocupa. O modelo atual não pode ser comparado com o anterior. E vamos às razões.