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Um levantamento realizado pelo Anuário EXAME de Infra-Estrutura revela que alguns dos projetos de infra-estrutura considerados vitais para o crescimento do Brasil tiveram seus valores revistos durante a execução ou mesmo antes de começarem a sair do papel. A revisão do valor inicialmente orçado pode decorrer tanto de falhas do projeto quanto do longo período em que a obra ficou paralisada.
As eclusas de Tucuruí são um exemplo clássico da imprevisibilidade que têm caracterizado as estimativas de custos das obras públicas no país. As eclusas começaram a ser construídas em 1983, sem um prazo definido de conclusão, já que não havia verba assegurada para sua execução. De uma previsão inicial de 466 milhões de reais, o orçamento da obra saltou para 1,2 bilhão de reais - quase três vezes mais. Por falta de recursos, a obra sofreu três paralisações, a última delas em 2004. No início de 2007, o governo federal incluiu as eclusas como uma das prioridades do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A nova previsão é que elas fiquem prontas em 2010. O objetivo das eclusas é viabilizar a navegação na Hidrovia Araguaia-Tocantins, para o escoamento de minérios da região e da produção agrícola do centro-oeste. O curso desses rios foi interrompido pela construção da barragem da usina hidrelétrica da Tucuruí. As eclusas permitiriam vencer o desnível de 74 metros criado pela barragem.