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O que fazer depois do furacão

Diante dos últimos acontecimentos, que conselho vocês dariam aos empregados de instituições como Merrill Lynch e Lehman Brothers? (Courtney Ellison, Amherst, Massachusetts)
 
Por Jack Welch com Suzy Welch | 16/10/2008

Em primeiro lugar, gostaríamos de dizer que sentimos muito pela perda deles. Ser comprado ou ser demitido são experiências cujo impacto é semelhante à perda de um ente querido da família. O choque, a tristeza, a raiva e a confusão que se instalam são suficientes para nos induzir a um período de luto prolongado. Contudo, em se tratando de vida profissional, essa reação pode ser desastrosa. Não vamos dizer aos quase 60 000 funcionários da Merrill Lynch e cerca de 26 000 do Lehman que sorriam e prossigam com sua vida. Wall Street acaba de ser sacudida por um terremoto devastador, portanto é compreensível que as pessoas se sintam atônitas durante algum tempo. Contudo, os empregados atingidos não podem ficar atordoados por muito tempo. Na Merrill, as pessoas precisam adotar rapidamente uma "mentalidade de não-resistência". No Lehman, elas precisam agir depressa para evitar o "vórtice da derrota". Vamos tratar primeiramente da Merrill Lynch. Durante quase um século, a Merrill foi uma empresa independente e orgulhosa, a ponto de seus corretores se autodenominarem "a grande manada". Agora, de repente, uma missão de socorro transforma a empresa em subsidiária do colossal Bank of America. Como você acha que os funcionários da Merrill Lynch vão reagir a essa mudança? Se o pessoal da Merrill for parecido com a maioria dos funcionários de empresas adquiridas, haverá resistência à nova situação. A cultura do Bank of America, seus processos, sua liderança e seu jeito de fazer negócios vão parecer estranhos - e errados - a muitos ex-funcionários da Merrill. Se você é funcionário da Merrill - ou melhor, se você trabalha em qualquer empresa que tenha sido comprada por outra -, entenda uma coisa: a paciência de seu novo empregador com gente de cara feia é limitada. Ele sabe que o funcionário que não aceita o que aconteceu atrapalha o andamento do trabalho, seu cinismo envenena o ambiente. É por isso que, quando chega a hora de fazer uma lista de quem fica e de quem sai, a maior parte dos novos donos dá preferência a quem aceita a nova situação, e não às mentes brilhantes e resistentes. Portanto, eis o que temos a dizer aos empregados da Merrill Lynch: não desprezem seu passado, mas ponha-o de lado agora. Deixem de se achar vítimas, unam-se à equipe do Bank of America de coração e alma. Trabalhem duro pelo futuro de seu novo empregador. Essa é uma grande oportunidade de fazer parte do futuro do Bank of America. Os funcionários do Lehman têm desafios mais sérios pela frente. Eles estão à procura de emprego em um segmento que dia a dia encolhe cada vez mais e em que não faltam candidatos com experiência. É o tipo de situação frustrante que pode facilmente empurrar as pessoas para uma espiral descendente de insegurança e de estagnação. O melhor antídoto para esse "vórtice da derrota" é a ação imediata. Talvez você preferisse dar um tempo para fazer uma avaliação de vida, mas essa demora permitirá a outros que também estão em busca de emprego sair na frente num mercado de oportunidades limitadas. Busque dentro de si mesmo um pouco daquela reserva de autoconfiança que todos nós temos e comece hoje mesmo a ir atrás das indicações que tem. Talvez você esteja pensando: "Muito bem, mas Wall Street não está contratando". Sabemos disso, por isso mesmo queremos aconselhá-lo a ampliar o raio de sua procura, tanto em relação ao conteúdo da função desejada quanto à sua localização geográfica. Faz alguns anos, tivemos um encontro com um grupo de engenheiros demitidos em uma cidade de porte médio do Meio-Oeste americano. Eles não haviam conseguido se reempregar depois de um ano inteiro de procura. A razão era simples: embora seu setor tivesse encolhido e praticamente não tivesse mais atividade alguma na região, todos eles queriam cargos que fossem parecidos com os que tinham antes. O pior de tudo é que haviam descartado totalmente a possibilidade de trabalhar em outra localidade. Para seguir em frente, os ex-funcionários do Lehman terão de raciocinar em termos muito amplos e de forma criativa sobre como recomeçar. Sabemos que é assustador, mas é igualmente assustador esperar por um ambiente "caloroso e familiar" que talvez nunca mais apareça. Não esperamos que os funcionários da Merrill ou do Lehman estejam prontos para acatar tudo o que dissemos. Contudo, em tempos fora do comum como os atuais, as soluções devem ser necessariamente incomuns. É perfeitamente compreensível que os eventos turbulentos das últimas semanas alimentem nessas pessoas - e em outras que ainda vão perder seus empregos por causa da crise - um sentimento de nostalgia. Mas é bom esquecer o passado e se concentrar no futuro.

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