O paulista Fernando Galletti de Queiroz trabalhava como trader na multinacional de alimentos Cargill na cidade de Minneapolis, nos Estados Unidos, em 1992, quando recebeu um telefonema do Brasil. Era uma convocação para fazer as malas e voltar para Barretos, no interior de São Paulo, onde sua família, que se dedicava à criação de gado, tinha acabado de adquirir um frigorífico, o Minerva. Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo, Queiroz estava na Cargill desde 1989, quando havia ingressado como trainee, ainda no Brasil, depois de ter passado pela Cotia Trading. Graças à sua vivência em comércio internacional, foi convidado a assumir a diretoria comercial do Minerva. Queiroz aceitou a oferta, mas fez uma exigência: que o frigorífico elaborasse e pusesse em execução um plano de negócios centrado no mercado internacional, com o objetivo de tornar-se uma empresa exportadora. "Agora vemos que foi uma estratégia acertada", diz Queiroz, hoje com 40 anos. Ele assumiu a presidência da companhia em 2007, depois de ajudar a transformá-la na terceira maior exportadora de carne bovina do Brasil. Os produtos do Minerva chegam atualmente a 600 clientes de 80 países, responsáveis por 70% do faturamento do grupo, que atingiu 1,7 bilhão de reais no ano passado.
A disposição de transformar a companhia num competidor internacional - como fez Queiroz - é uma das mais fortes características da nova geração no comando de empresas do agronegócio brasileiro. Além do foco no mercado externo, esses administradores têm em comum o fato de passar por um período de lapidação acadêmica muito maior do que o de seus antecessores. Essa preparação tem como objetivo dar conta dos desafios criados pela tremenda mudança de escala nas atividades das empresas da área e do cenário em que hoje elas negociam seus produtos.
"Para competir num mercado global, os empresários hoje precisam pensar mais estrategicamente, desenvolver projetos de marketing ousados e estar atentos a questões relativas a direito e relações internacionais", afirma José Luiz Tejon, coordenador do núcleo de estudos em agronegócios da Escola Superior de Propaganda e Marketing, de São Paulo. Novas questões que emergiram nos últimos anos, como protecionismo, barreiras sanitárias, sustentabilidade e governança corporativa, exigem que a nova safra de executivos do campo esteja mais atenta ao que acontece além dos limites da fazenda. "Vivemos um período que privilegia o conhecimento", diz Luiz Antonio Pinazza, diretor da Associação Brasileira de Agribusiness e professor do curso de MBA em gestão do agronegócio da FGV-SP.
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