Se há uma característica que se destaca na trajetória do engenheiro Hugo Marques da Rosa, de 58 anos, dono da construtora Método, é sua capacidade de se envolver em situações-limite -- e safar-se delas. Ainda estudante, foi preso três vezes pelo regime militar. A primeira delas durante o famoso congresso da UNE, em 1968, em Ibiúna, no interior de São Paulo. Numa de suas passagens pelos porões da ditadura, chegou a dividir a cela com o ex-ministro José Dirceu. Em 1995, aceitou o convite do então governador Mário Covas para comandar a Secretaria de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras de São Paulo, da qual fazia parte a encrencada Sabesp, a empresa estadual de saneamento. Em quatro anos, Rosa não só resolveu os problemas da estatal como conseguiu valorizar suas ações quase 20 vezes. Hoje, o empresário vive um novo desafio. Sua missão é dar maior fôlego à Método, construtora que ele fundou em 1973, experimentou seu auge no início dos anos 90 e depois mergulhou em uma profunda crise financeira. Vítima do próprio sucesso, a Método cresceu além de sua capacidade e cometeu um erro estratégico ao contar com um aporte de capital que nunca chegou. O resultado foi uma dívida que beirou os 100 milhões de reais e deprimiu os resultados da empresa por quase uma década. "Por mais obras que fizéssemos, toda a rentabilidade era corroída pela dívida", diz Rosa.
Na tentativa de levantar a companhia, Rosa sacrificou alguns luxos. Por dois anos, ele abriu mão de receber salário. Seu período de férias, antes de 45 dias, foi reduzido a 15, e as viagens internacionais com a família mudaram de status: da primeira classe para a econômica. Apaixonado por pesca submarina, Rosa renunciou a uma das jóias de seu patrimônio: uma lancha de 44 pés avaliada em 600 000 dólares que ficava ancorada em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. "Não fazia sentido pregar austeridade dentro da empresa e não praticar isso na vida pessoal", diz ele. Sua postura é apontada como um dos fatores cruciais na recuperação da empresa. "Ele reuniu os fornecedores, mostrou os balanços e garantiu que iria pagar todas as contas atrasadas", diz Luiz Antonio Maria, diretor de uma das unidades de negócios da Método. "Eles se sentiram mais seguros e continuaram a trabalhar conosco."
Quando a Método apresentou os primeiros sinais da crise, em 1995, Rosa havia acabado de assumir o cargo no governo estadual. Ele saiu para se dedicar a uma idéia que acalentava desde o começo da carreira -- o serviço público. "A empresa estava com as contas arrumadas e achei que as coisas andariam sozinhas", diz Rosa. "Cometi um erro grave porque não preparei minha sucessão e simplesmente deleguei por ausência." O empresário deixou a companhia em um momento estratégico. Na ausência do fundador, a Método investiu na criação de outras quatro empresas (com atuação em áreas tão diversas como parques temáticos e telecomunicações), partiu para um processo de internacionalização no Uruguai e apostou maciçamente na área de imóveis residenciais. Tudo ao mesmo tempo. A expectativa era que o investimento fosse compensado pela entrada de um sócio capitalizado -- no caso, um fundo de private equity. Na última hora, o acordo não foi fechado e a Método ficou com as finanças estranguladas. A construtora, que havia sido avaliada em quase 200 milhões de dólares em 1994, passou a valer cerca de um quarto desse total em 1998. A volta de Rosa para a empresa foi difícil. As relações com o sócio, Victor Foroni, seu parceiro desde a fundação da Método, foram abaladas. "Sempre tivemos estilos de gestão diferentes, mas quando Hugo voltou a situação ficou insustentável", afirma Foroni, que há três anos vendeu sua participação na empresa.
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