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Privatizar por que, tche?

Com a abertura de capital do Banrisul, a governadora Yeda Crusius encara um poderoso bastião do estatismo
 
Por Suzana Naiditch | 28/06/2007

Fundado por Getúlio Vargas há quase 80 anos, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) é um símbolo para os gaúchos. Patrocinador do Grêmio e do Internacional, os dois maiores times de futebol do estado, o banco tem 3 milhões de correntistas -- o que significa que um em cada três gaúchos é cliente da instituição. Com 418 agências -- 389 delas no Rio Grande do Sul --, o Banrisul tem uma cobertura geográfica de 80% do estado. Desde o início de junho, esse símbolo tornou-se alvo de uma polêmica que promete ser tão acalorada quanto as rivalidades entre maragatos e chimangos no final do século 19 -- ou de gremistas e colorados nos dias de hoje. Pressionada por uma dívida de 31 bilhões de reais, a governadora Yeda Crusius (PSDB) decidiu abrir o capital do banco, operação que deve render 2 bilhões de reais (e algum fôlego) aos cofres públicos. Na operação serão negociadas ações preferenciais do Banrisul, e o governo manterá 99,4% do capital votante -- ou seja, não existe uma privatização de fato. Mesmo assim, a governadora tucana tem levado pedradas diárias da oposição. "Esse governo já demonstrou que pretende ir mais longe e que vai privatizar o banco", diz o deputado estadual Raul Pont (PT), um dos fundadores da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul.

Falar em privatização do Banrisul equivale a cutucar um vespeiro com uma varinha bem curta. Uma pesquisa realizada no início do ano em 45 cidades do estado com 1 200 entrevistados mostrou que 84,6% são contrários à privatização do banco -- apenas 11,2% são a favor e 4,2% não têm opinião a respeito. Esse ambiente totalmente desfavorável faz do Rio Grande do Sul um dos mais fortes bastiões do estatismo no Brasil, mas não o único. A última eleição presidencial revelou a falta de clareza do eleitorado brasileiro em relação às vantagens da privati zação. Empresas como Embraer, Vale do Rio Doce e as companhias telefônicas empregam mais gente atualmente do que no período em que estavam sob o controle estatal. Além disso, em vez de consumir recursos do Estado, esses grupos tornaram-se fontes de receita por meio do pagamento de impostos.

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