Desde que o bilionário sul-africano Mark Shuttleworth retornou de uma viagem espacial, o mundo do Linux nunca mais foi o mesmo. Até então, o sistema operacional cujo código pode ser livremente copiado e modificado estava confinado aos servidores -- grandes computadores que controlam as redes empresariais e que são operados apenas por técnicos. A maioria das pessoas não se aventurava a instalar alguma versão de Linux no notebook ou no PC de casa por medo de abandonar o conforto de mexer no onipresente Windows, da Microsoft. Os poucos que se arriscavam eram aficionados da tecnologia. Isso começou a mudar depois da temporada extraterrestre do excêntrico Shuttleworth, que em 2002 se tornou o segundo homem a tirar dinheiro do próprio bolso -- a bagatela de 20 milhões de dólares -- para visitar uma estação espacial. Quando retornou à Terra, Shuttleworth assumiu a missão de desenvolver um sistema para desktops que não fosse apenas gratuito e de boa qualidade, mas também fácil de usar.
Foi assim que nasceu o projeto Ubuntu, palavra no dialeto banto que significa algo como "eu sou porque nós somos". Em outubro de 2004, depois de muitas pesquisas e testes patrocinados por Shuttleworth, o mundo ganhou a primeira versão do Ubuntu, que em pouco tempo se tornaria um dos raros casos bem-sucedidos de distribuição de Linux para PCs. Hoje, pelo menos 10 milhões de computadores pessoais rodam o Ubuntu, número que impressiona pelo pouco tempo de existência do sis tema. As pesquisas feitas no Google com a palavra Ubuntu desde o início do ano passado superam a procura por Mac OS, sistema operacional dos computadores da Apple. O próprio gigante de buscas é um dos usuários empresariais mais famosos desse software livre. No site DistroWatch.com, referência entre a comunidade Linux, o Ubuntu é a distribuição mais procurada e discutida dos últimos 12 meses.
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