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Da palha de aço ao apartamento

Júnior, o ex-dono da Arisco, montou um respeitável grupo de produtos de consumo. Sua mais nova tacada é no efervescente mercado imobiliário
 
Por Daniella Camargos | 19/04/2007

Em sua trajetória de 17 anos como empresário, João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, trocou de alcunha algumas vezes. Na década de 90, era chamado de Júnior da Arisco, uma referência à fabricante de molhos e temperos fundada por seu pai e dirigida por ele até 2000, quando foi vendida para uma multinacional. Há seis anos, tornou-se o Júnior da Assolan, a palha de aço que engoliu 30% do mercado e corroeu a liderança da antes poderosa Bombril. Agora, ele quer se transformar em Júnior da Bramex, sua mais recente -- e ainda inédita -- aposta. Trata-se de uma incorporadora imobiliária, resultado de uma sociedade da empresa que controla seus negócios, a Monte Cristalina, com outros dois grupos de investidores. O primeiro deles é a Stan Empreendimentos Imobiliários, incorporadora paulista que trabalha com imóveis de alto padrão. O outro é formado pelos bilionários mexicanos Esteban Malpica, Alfredo Harp Helu e Roberto Ramirez, antigos donos do Banco Nacional do México, vendido para o Citigroup em 2001. O objetivo de Júnior com seu novo negócio é claro: surfar na onda imobiliária que começa a ganhar volume no Brasil.

Durante todo o ano de 2006, Júnior dedicou-se a estudar a evolução do setor. O que mais o entusiasmou foi o crescimento dos recursos destinados pelos bancos para o financiamento da casa própria. Estima-se que em 2007 o valor chegue a 18 bilhões de reais, o dobro do ano passado. Ainda assim, no Brasil, o financiamento de imóveis corresponde a 2% do produto interno bruto (PIB). É um nível bem abaixo do encontrado em outros países emergentes que estão em plena expansão imobiliária, como o México, onde o volume de financiamento equivale a 11% do PIB. Foi justamente no México que Júnior foi buscar parceiros para seu novo negócio. O trio Malpica, Harp Helu e Ramirez é especializado em crédito imobiliário. Atualmente são construídas 700 000 moradias populares no México por ano -- ante 150 000 no Brasil. Muitos analistas acreditam que, cedo ou tarde, o fenômeno mexicano se repetirá no Brasil. "A trajetória de nossa taxa de juro é uma cópia do que ocorreu no México há cerca de quatro anos. Por isso, esperamos que o mercado imobiliário brasileiro também evolua como o mexicano", diz Roberto Sampaio, diretor da área de crédito imobiliário do banco HSBC.

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