Durante muito tempo, Angola foi dada por analistas internacionais como um caso perdido. Não por acaso. Uma guerra civil entre tropas rebeldes e as forças fiéis ao governo prolongou-se durante quase três décadas, provocando a morte de mais de 1 milhão de pessoas e a destruição quase completa de um país já suficientemente castigado pela miséria e pelo subdesenvolvimento. Diferentemente dos prognósticos pessimistas, porém, Angola vem se reerguendo nos últimos anos. A paz entre as facções antagônicas foi selada em 2002 e, desde então, não há sinais de novos distúrbios. O clima de calmaria abriu espaço para a reconstrução do país. O trabalho encontra-se agora numa fase acelerada e inclui a recuperação de prédios públicos, estradas, ferrovias, usinas hidrelétricas e redes de esgoto e de telecomunicação, entre outras coisas. Esse monumental esforço produziu um efeito que parecia improvável: Angola virou um bom negócio. Não que o país africano tenha se transformado em uma nova China, é óbvio, mas o fato é que a ex-colônia portuguesa tornou-se uma ilha de oportunidades comerciais num continente marcado por guerras e estagnação econômica.
Considerando-se apenas o pacote das maiores obras em andamento, o governo local deve investir perto de 2 bilhões de dólares nos próximos anos (veja quadro ao lado). Estão sendo construídos 28 hospitais, 40 escolas e quase 30 000 moradias. Em termos de infra-estrutura, encontram-se entre as prioridades nacionais a reconstrução de 17 000 quilômetros de estradas e a recuperação de boa parte da malha ferroviária do país. Os tempos de paz também abriram espaço para investimentos em outras áreas. Embora continue sendo um dos países mais pobres do mundo, cresce em Angola o número de projetos voltados para atender uma emergente classe média, que já corresponde à fatia de cerca de 10% do total de 4 milhões de habitantes da capital, Luanda. Exemplo disso é a proliferação de condomínios residenciais erguidos para essa fatia da população. Como resultado dos investimentos nas mais diferentes áreas, o país encontra-se em franca expansão -- o PIB deve crescer acima de 20% neste ano.
Angola não é o primeiro país devastado por uma guerra que experimenta um boom de negócios no seu período de reconstrução. Processo semelhante vem ocorrendo no Iraque. O caso do país africano, porém, tem algumas peculiaridades. Poucas outras nações que se encontram na mesma situação possuem tantas riquezas naturais. Isso garante os recursos financeiros necessários para bancar as obras. Angola é o quarto maior produtor de diamantes do mundo e tem uma das maiores reservas de petróleo da África. A escalada no preço internacional do ouro negro ocorrida nos últimos anos fez com que o volume de dólares ingressando no país desse um salto inédito na história recente. O ambiente agora pacífico também colabora para atrair o dinheiro de grandes empresas, como a americana Exxon Mobil. Em 2004, a petrolífera investiu 3,5 bilhões de dólares no país num dos maiores projetos de extração de petróleo em águas profundas da África.
Esta matéria é exclusiva para assinantes da revista Exame ou usuários que compraram a revista na banca.
Se você é assinante e cadastrado no Passaporte Abril, preencha os seus dados aqui para ver a íntegra do texto:
Ainda não se cadastrou no Passaporte Abril?
Faça isso agora
Assine a Exame e tenha acesso irrestrito ao seu conteúdo na Internet.