Há poucos dias, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, surpreendeu os meios políticos e empresariais ao declarar que, em um eventual segundo mandato, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria fixar uma meta anual de crescimento econômico de 5% ou 6% para os próximos quatro anos. Não deixa de ser positivo que autoridades econômicas trabalhem para promover o crescimento -- até por ser esse um dos campos em que o Brasil tem mostrado desempenho mais claudicante desde os anos 80. Chama atenção, porém, a completa falta de sintonia entre a intenção do ministro e a realidade política e econômica do país. Quase no mesmo dia em que a proposta de Furlan ganhava as manchetes, o presidente do Partido dos Trabalhadores, Ricardo Berzoini, enterrava qualquer esperança de uma atuação mais contundente em termos de reformas estruturais numa eventual reeleição. "Existe um fetiche de que reformas como a da Previdência são imprescindíveis e que produziriam um milagre macroeconômico", afirmou Berzoini ao jornal Folha de S.Paulo. Outra ducha de água fria veio com a divulgação do mais recente Panorama Econômico Mundial, relatório semestral compilado pelo Fundo Monetário Internacional. As projeções indicam que o Brasil continuará crescendo abaixo da média dos demais emergentes, não apenas em 2006 como também em 2007. O último dado disponível sobre a evolução do PIB revelou variação positiva de mero 1,2% no segundo trimestre deste ano -- número que deixa o Brasil na rabeira de uma lista em que entram seus principais competidores.
Aqui dentro, também contrariamente ao devaneio do ministro, as expectativas dos agentes econômicos vêm piorando significativamente. O relatório de estimativas do mercado, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira 18 de setembro, assinalou projeção de crescimento de 3,1% em 2006, ante 3,5% projetados um mês atrás. Para 2007, a estimativa de aumento do PIB caiu de 3,7% para 3,5%. "Furlan pirou. Não sei de onde ele tirou esse crescimento de 6%", diz o economista Samuel Pessoa, da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. "O Brasil cresce em média 2,5% há mais de duas décadas, e simplesmente fixar uma meta não vai mudar isso."
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