Na década de 90, produtos de marca própria se tornaram uma espécie de febre do varejo mundial. Em busca de custos menores e de poder de barganha com fornecedores, várias empresas brasileiras, sobretudo hipermercados, adotaram a estratégia. A rede gaúcha de farmácias Panvel foi uma delas. Sua operação de marcas próprias, comum em países como Estados Unidos e Inglaterra, mas ainda raridade entre as redes de farmácias brasileiras, foi iniciada há 15 anos, com uma linha de fraldas e absorventes descartáveis. Hoje, o negócio abrange quase 300 itens, como perfumes, cosméticos e artigos de higiene pessoal. Até o ano passado, essa gama de produtos era produzida por fabricantes terceirizados. A Panvel, com faturamento de 720 milhões de reais em 2005, entrava apenas com sua marca. Mas o negócio parece tão promissor que seus executivos decidiram radicalizar a estratégia. No final de 2005, eles transformaram o pequeno laboratório de manipulação do grupo, o Lifar, em fábrica. Hoje, pelo menos 50 itens à venda nas 221 farmácias da rede, espalhadas pelo sul do país, são fabricados pela própria empresa. "Nos últimos cinco anos, adotamos uma estratégia de criar produtos cada vez mais sofisticados e exclusivos. A produção própria acabou sendo decorrência natural desse processo", diz Júlio Ricardo Mottin Neto, diretor de marketing da Panvel.
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