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O bisturi também é plano

Globalização faz com que mais de 1 milhão de pessoas por ano procurem tratamentos no exterior
 
Por Tatiana Gianini | 06/09/2006

A partir da década de 90, graças aos telefones celulares, à internet e aos cabos de fibra óptica, a distância entre os países encolheu dramaticamente -- é como se o mundo tivesse se tornado plano, para usar a expressão popularizada pelo jornalista americano Thomas Friedman. A revolução tecnológica possibilitou a explosão de serviços terceirizados de call center e de desenvolvimento de software. Agora, o mesmo fenômeno vem se repetindo, de forma surpreendente, na medicina. Graças à globalização, milhares de americanos realizam por ano cirurgias plásticas na Costa Rica, enquanto outro contingente considerável de europeus viaja até o leste do Velho Continente para fazer tratamentos dentários. Em alguns casos, os pacientes encaram trajetos mais longos, com destino a centros de excelência na Índia, Malásia e Tailândia para realizar cirurgias cardíacas e oftalmológicas.

O negócio da medicina global transformou-se numa verdadeira indústria, em franca fase de expansão. O fluxo de passageiros que viajam em busca de serviços médicos cresce 20% ao ano, ante 6% do turismo convencional. Apenas os países asiáticos recebem mais de 1,3 milhão desses viajantes por ano -- a esmagadora maioria deles pára na Tailândia, o destino mais procurado. Apesar de contar com vários centros de excelência de reputação mundial, o Brasil ainda não entrou no circuito do turismo   de saúde. Recebe apenas 30 000 pacientes por ano, a maior parte deles interessada em realizar cirurgias plásticas.

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