A recente turbulência nos mercados financeiros internacionais derrubou os preços de ações, títulos públicos e commodities. Todos os ativos caíram, exceto um investimento que vem passando ao largo das crises nos últimos anos: o mercado de arte. Prova dessa pujança foi o leilão de Retrato de Adele Bloch-Bauer I, do austríaco Gustav Klimt, ocorrido em junho, em meio à onda de pânico que tomou conta dos investidores. Ignorando a crise, o empresário americano Ronald Lauder arrematou a obra por 135 milhões de dólares, o maior preço já pago por uma pintura.
Vendas como essa têm movimentado o cotidiano das duas maiores casas de leilão do planeta, a Christie's e a Sotheby's, além de dar bastante trabalho a negociantes e peritos. Os números recentes mostram que investir em arte não traz apenas prazer estético, mas também é um bom negócio. Pela primeira vez na história, os quadros valorizaram-se mais que as ações. Um índice criado por Jianping Mei e Michael Moses, professores da Universidade de Nova York, mostra que a valorização dos quadros de pintores americanos e europeus nos últimos cinco anos foi de 50%. Nesse período, o índice S&P 500, um dos mais importantes da bolsa de Nova York, caiu 5%.
Esse fenômeno também está ocorrendo no Brasil. Não há levantamentos sistemáticos de preços no país. Por isso, para saber como está o mercado, é preciso consultar os intermediários na venda de telas, conhecidos como marchands. Esses profissionais têm tido muitos motivos para esbanjar champanhe. Nos últimos anos, as vendas estiveram muito aquecidas e os preços dispararam. As cotações do consagrado modernista Emiliano Di Cavalcanti dobraram em relação há dez anos. Mesmo artistas contemporâneos, tradicionalmente menos valorizados que os mestres, têm dado alegrias a seus compradores. Nomes da nova geração, como Beatriz Milhazes, Mira Schendel e Tunga, vendem quadros por cerca de 200 000 dólares, quatro vezes mais do que conseguiam há apenas dois anos.
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