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Elie Horn o magnata dos imóveis

Quem é e como trabalha Elie Horn, o enigmático empresário que fez da construtora Cyrela uma estrela do setor imobiliário e do mercado de ações
 
Por Cristiane Correa | 04/05/2006

Preste muita atenção na foto ao lado. É a primeira vez que uma imagem de Elie Horn, de 61 anos, fundador e controlador da Cyrela Brazil Realty, a maior incorporadora e construtora do país, é publicada pela imprensa. Com fortuna pessoal estimada em 1,3 bilhão de dólares, Horn faz parte do seletíssimo grupo de 16 brasileiros incluídos na lista dos maiores bilionários do mundo, organizada pela revista americana Forbes. Dentre todos eles, no entanto, Horn é o mais desconhecido e enigmático, o que adiciona uma dose de charme à sua fascinante história empresarial. Judeu fervoroso, ele sempre evitou a exposição pública sob o argumento religioso de que deveria cultivar a humildade. Isso se expressa até mesmo em sua maneira de vestir. "Seus ternos são à la Antônio Ermírio de Moraes", diz o empresário João Dória Júnior, seu amigo. Horn mora com a família numa casa de 1 000 metros quadrados, na zona sul de São Paulo. O imóvel, avaliado em 6 milhões de reais, é menos impressionante que muitos dos apartamentos que constrói e vende. Suas raras aparições sociais em geral acontecem em eventos organizados pela comunidade judaica, como casamentos e festas de bar mitzvah, ou em reuniões com propósitos filantrópicos. Horn é hoje um dos maiores filantropos do Brasil. Estima-se que ele doe a projetos sociais 20% de seus ganhos.

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Elie Horn conseguiu manter-se quase anônimo enquanto sua empresa era vista apenas como um dos grandes nomes do mercado imobiliário nacional -- uma companhia que, ao longo das últimas décadas, conseguiu resistir e crescer em meio aos altos e baixos do setor. Hoje, a Cyrela é muito mais que isso. Trata-se de um fenômeno financeiro capaz de atrair a atenção de investidores brasileiros e internacionais. Quando o mercado de imóveis no Brasil deu sinais de que se transformaria num bom negócio, a Cyrela surgiu como uma das grandes alternativas de investimento. No ano passado, a empresa registrou faturamento líquido de 689 milhões de reais. Em setembro, Horn deu seu passo mais ousado para consolidar a liderança: abriu o capital da empresa no Novo Mercado da Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo. Ao colocar suas ações nessa espécie de "sala vip" da bolsa, a Cyrela levantou de uma só vez 902 milhões de reais -- e Horn ainda manteve o controle, com 51% de participação. Na época do IPO, o valor de mercado da companhia era 2,2 bilhões de reais. Hoje, está em 5,3 bilhões de reais. Foi a bolsa que o fez ingressar no clube dos bilionários brasileiros.

Nos próximos meses, a Cyrela deve fazer uma nova emissão. (Por causa disso, Horn e os demais executivos da empresa estão impedidos pela CVM, órgão que regulamenta as empresas de capital aberto, de fornecer qualquer informação sobre os negócios. As entrevistas -- que já eram raridade na empresa -- foram banidas.) Segundo dados da consultoria Economática, entre as empresas brasileiras com ações negociadas na bolsa, a Cyrela aparece como a 17a mais valorizada. "Apesar de todo o mercado imobiliário estar aquecido, a Cyrela é a empresa que melhor está aproveitando essa fase", afirma um analista especializado no setor. A espetacular valorização da empresa já chama a atenção de alguns especialistas do mercado financeiro. Considerando que o lucro da Cyrela foi de 128 milhões de reais em 2005, um investidor que comprasse ações da companhia hoje levaria 41 anos para começar a ter lucro (para chegar a esse resultado, basta fazer um cálculo clássico: dividir o valor de mercado pelo lucro líquido). É um sinal de alerta. Mas não chega a empanar o brilho de um negócio construído silenciosamente ao longo de décadas.

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