No mês de setembro, os fornecedores do McDonalds no Brasil receberam um questionário com 35 perguntas. Elas não se referiam a assuntos como qualidade de produtos e serviços, eficiência, produtividade ou custo. O tema era um só: responsabilidade social. No fim de outubro, dos 179 questionários enviados apenas 56 haviam sido respondidos. Os outros 123 fornecedores ainda não haviam dado sinal de vida. "Provavelmente, quem não respondeu ainda não desenvolve nenhuma atividade voltada à responsabilidade social", afirma Flávia Vigio, gerente de comunicação do McDonalds e responsável pela pesquisa. Se for mesmo esse o motivo do silêncio, essas empresas terão de mudar de postura. Marcel Fleischmann, presidente do McDonalds no Brasil, dá o ultimato: "Em até três anos, todos os nossos fornecedores deverão estar envolvidos em algum projeto social, seja ele ligado ao McDonalds ou não. E não vale apenas fazer doações, é preciso uma participação efetiva".
Para quem ainda não é fornecedor da empresa, a exigência já estará valendo a partir de janeiro. "Em 2003, não fecharemos novos contratos com companhias que não tenham uma postura social atuante na comunidade", diz Fleischmann. Ele acredita que já foi a época em que para fechar um negócio bastava puxar uma ficha cadastral para saber se ela era financeiramente saudável. "Queremos estar rodeados de empresas que tenham uma postura social semelhante à nossa", diz Fleischmann. "Concordo com a frase: Diga-me com quem andas que te direi quem és."
A cobrança agora é explícita, mas há anos os fornecedores da rede vêm sendo convidados a tomar parte no trabalho social desenvolvido pelo McDonalds. O McDia Feliz é o melhor exemplo. Um dia por ano, todo o dinheiro arrecadado com a venda do Big Mac, excluindo impostos, é revertido ao Instituto Ronald McDonald, que combate o câncer infantil, e a outras instituições que também batalham contra a doença. Neste ano, foram 70 as instituições beneficiadas. Em média, o número de Big Macs vendidos no McDia Feliz é cinco vezes maior que num dia normal. No evento de 2002, quase 2 milhões de Big Macs foram consumidos, o que resultou num total de 7,4 milhões de reais arrecadados. Desde 1988, quando foi instituído no Brasil, o McDia Feliz já conseguiu cerca de 39 milhões de reais.
Nesse dia, os fornecedores são convidados a visitar os restaurantes e pôr a mão na massa. Ajudam a montar os sanduíches, registrar pedidos, montar as bandejas. "É uma oportunidade de eles se familiarizarem com os nossos valores", diz Fleischmann. Alguns fornecedores vão além. Participam da campanha fazendo doações em produtos ou dinheiro. O empresário Nilo Cottini Filho, presidente da Brasilgráfica, trabalha com o McDonalds desde que a rede chegou ao Brasil, nos fim dos anos 70. A empresa é responsável pelas embalagens de todos os sanduíches, das tortas e das batatinhas. Também é ela quem faz a toalha de papel colocada na bandeja e a caixinha do McLanche Feliz. Desde a primeira edição do McDia Feliz, Cottini participa do evento, indo para trás do balcão. "É um dia de ação de graças", diz. Ele também não cobra a mão-de-obra para a produção das embalagens do Big Mac usadas no dia da promoção e tem procurado envolver seus próprios fornecedores no evento. "Vários aderiram", diz ele. "Com isso, conseguimos reduzir os custos da embalagem do Big Mac usada no dia do evento em cerca de 70%."
Apesar de a saúde ser uma das principais causas adotadas pelas ações sociais do McDonalds no mundo, recentemente a rede viu-se envolvida numa batalha judicial nos Estados Unidos onde é acusada, juntamente com outras empresas, de vender produtos não saudáveis. O consumidor, um americano que pesa mais de 100 quilos, diz que passou cerca de 40 anos de sua vida comendo fast food e que, por isso, hoje é obeso. O episódio, por mais controvertido que possa ser, é visto como um estopim que pode levar à guerra hoje enfrentada pelos fabricantes de cigarro e que envolve indenizações milionárias.
Perguntado a respeito de como o McDonalds no Brasil pretende enfrentar essa questão, Fleischmann, antes de mais nada, defende os lanches da rede. "Faz parte de uma alimentação saudável comer carne, queijo e pão", diz. Depois, conta que a empresa está elaborando um projeto com escolas, que visa a ensinar nutrição às crianças. "Queremos que desde cedo elas aprendam a importância de ter uma alimentação balanceada", afirma Fleischmann.
| PONTUAÇÃO POR CRITÉRIO |
| | Notas* |
| Valores e transparência | 92,3 |
| Funcionários e público interno | 71,1 |
| Meio ambiente | 47,5 |
| Fornecedores | 93,8 |
| Consumidores/ clientes | 94,1 |
| Comunidade | 91,3 |
| Governo e sociedade | 83,3 |
| *Num total de 0 a 100 |