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Se as negociações para a Saraiva comprar a Siciliano por 60 milhões de reais se arrastaram durante quase um ano, não era de se esperar que a digestão dessa aquisição ocorresse em tempo recorde. Cinco meses após o anúncio do negócio, entretanto, a estratégia para a integração das operações das duas empresas já está traçada. O diretor-presidente da Livraria Saraiva, Marcílio Pousada, diz que vai transformar as 30 maiores lojas da Siciliano em unidades da Saraiva até o final de 2009. Além da marca, as unidades da Siciliano também vão ganhar o modelo de negócios da compradora, com investimento em ampliação do acervo de livros, diversificação do mix de produtos e serviços, realização de eventos dentro das unidades e investimento em atendimento e capacitação de funcionários.
Os pilares dessa estratégia são os mesmos que transformaram a Saraiva na maior livraria brasileira. Em 1996, a empresa foi pioneira no Brasil ao adotar um modelo semelhante ao de gigantes internacionais do setor - como a americana Barnes & Noble - e apostar em lojas de grande porte e na inclusão de outras mídias no cardápio de produtos oferecidos aos clientes. Hoje as 22 megastores e boa parte das 16 lojas pequenas da Saraiva vendem desde livros a CDs, DVDs, aparelhos eletrônicos, computadores, bens de informática, ingressos e produtos de papelaria. No primeiro semestre deste ano, as vendas de livros já representavam apenas 50,9% do faturamento total, enquanto eletrônicos e bens de informática alcançavam 22,5% da receita. Essa diversificação teve impacto direto no ganho de participação de mercado nos últimos anos. As vendas da Saraiva por metro quadrado de loja no segundo trimestre, por exemplo, foram 75% maiores que as da Siciliano. Essa diferença foi considerada tanto por executivos da companhia quanto por analistas de mercado uma grande oportunidade de comprar um negócio a preço baixo para depois melhorar seus resultados.