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O que acontece com uma empresa que decide congelar a tarifa básica de seu serviço por dez anos, em um país cuja inflação acumulada nesse período beirou os 100%? O que parece uma perigosa contramão das boas práticas administrativas para a maioria do mercado foi a estratégia da Localiza para crescer, ampliar margens e engordar lucros. Desde 1998, a tarifa básica da maior locadora de veículos do país é de 29,90 reais por dia - sem seguro. Não bastasse isso, o valor médio da diária está em queda. Em 2004, era de 81,68 reais. No ano passado, ficou em 76,42 reais. O bom desempenho operacional, contudo, contrasta com a situação das ações da Localiza (RENT3) na Bolsa de Valores de São Paulo. Após dois anos de forte valorização - 2005 e 2006 -, a empresa fechou 2007 em queda, arrastada, entre outros motivos, pela crise das hipotecas americanas, que vem surrando os papéis das small caps nos últimos meses. A desvalorização persiste nos primeiros meses de 2008.
Do lado da gestão do negócio, não há mágica na façanha da Localiza. O segredo da sua expansão operacional e financeira é um velho conhecido dos administradores de empresa. "Para compensar a tarifa fixa, a empresa buscou diluir custos por meio do aumento da escala", afirma Renato Prado, analista de investimentos da Fator Corretora. Os ganhos de escala sustentam toda a operação da Localiza - da compra de veículos em condições mais vantajosas à diluição do custo com funcionários nas agências de locação.
Entre 2004 e 2007, por exemplo, a empresa mais do que dobrou sua frota operacional - os veículos disponíveis para locação, que incluem aqueles em fase de licenciamento ou os postos à venda. Nesse período, a frota saltou de 10.979 unidades para 22.542. A primeira vantagem que a companhia tira do porte que sua operação atingiu é a aquisição de carros a preços melhores. Hoje, a Localiza é a maior compradora individual de veículos do país, negociando diretamente com as montadoras. Somente em 2007, a locadora comprou 29.094 veículos, ante 17.894 em 2004.