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Mercado vê uso político de estatais em leilão do rio Madeira

| 10/12/2007

Consórcio vencedor do leilão da usina Santo Antonio, no Rio Madeira, é encabeçado pela estatal Furnas e ofereceu deságio de 35% no preço da energia

 

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Por Márcio Juliboni

exame

As ações do setor elétrico despencaram com o resultado do leilão da usina hidrelétrica de Santo Antonio, a primeira a ser licitada no completo do Rio Madeira, nesta segunda-feira (10/12). Venceria o leilão quem apresentasse a menor tarifa para o mercado cativo - aquele formado pelas distribuidoras de energia. O consórcio vitorioso, liderado pelo grupo Odebrecht e pela estatal Furnas, apresentou uma tarifa de 78,90 reais por megawatt/hora. O preço significou um deságio de 35% em relação ao teto estabelecido pelo governo, de 122 reais. O mercado, que apostava em um preço final entre 100 e 110 reais, foi pego de surpresa, e viu indícios de influência política no resultado. "A oferta, em nossa visão, sofreu uma clara pressão do governo para baixar o preço da energia no longo prazo", afirma um relatório da corretora Ativa.

O reflexo do descontentamento dos investidores em relação ao resultado do leilão foi a queda generalizada dos papéis do setor elétrico na bolsa de valores. Por volta das 16h10, as ações preferenciais da Cemig - que também compõe o consórcio vencedor do leilão, com 10% de participação - caíam 3,09%; e as preferenciais da Cesp (CESP6) recuavam 1,55%. O papel mais castigado, porém, é o da Eletrobrás: suas ações ordinárias caíam 4,83%, e as preferenciais, 3,98%. A estatal controla a Furnas Centrais Elétricas, que detém 39% do consórcio Madeira Energia, o vencedor do leilão de hoje.

"O resultado é muito ruim para a Eletrobrás, mas é especialmente negativo para o setor elétrico e para a economia, na medida que o modelo do setor elétrico ainda não se traduz em um setor dinâmico de competição saudável", conclui a Ativa.

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