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Muito antes dos cursos que propõem atividades inusitadas a executivos, para ensiná-los estratégias de gestão, uma parcela dos empresários mais prósperos do país já se baseava em experiências bem radicais de vida para aprender a tocar seus negócios. Nesse grupo de empreendedores que partiram do zero e construíram empresas bilionárias há casos como o de Alberto Saraiva, dono da rede de comida árabe Habib';s. Aos 20 anos, ele foi obrigado a assumir a velha padaria de bairro que pertencia à família, depois que seu pai foi assassinado num assalto ao próprio local. Teve que mergulhar no negócio e transformou um lugar quase falido na melhor padaria da região.
Nessa época, conseguiu tirar a família do sufoco financeiro em que viviam e aprendeu a estratégia que se tornou fundamental no seu negócio atual - vender a preços "extremamente baratos". Hoje, no comando de uma empresa com faturamento de 900 milhões de reais, ele é um exemplo da amplitude da mobilidade social no Brasil - termo capaz de resumir o fato de que, apesar do enorme fosso entre ricos e pobres, o país é um dos que oferecem melhores condições de ascensão econômica, mesmo em comparação com nações desenvolvidas.
A conclusão já aparece em trabalhos acadêmicos, como o do sociólogo Carlos Ribeiro, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Num estudo comparativo, o pesquisador aponta que a possibilidade de um brasileiro ter melhores condições de vida do que a de seus pais é 4,5 vezes maior do que a de ele ter decaído, índice bem à frente do alemão e equivalente a mais que o dobro do registrado nos Estados Unidos.