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As imagens chocantes que o Ministério da Saúde e o Inca (Instituto Nacional do Câncer) lançaram ontem para serem usadas em embalagens de cigarros já estão causando polêmica. Desde 2001, o governo obriga os fabricantes de cigarros a estampar fotos desse tipo nas embalagens. Segundo o governo federal, as fotos - um bebê morto dentro de um cinzeiro, o cadáver de um tabagista numa mesa de necrotério, entre outras ainda mais impressionantes -- e as mensagens foram selecionadas com base num estudo sobre o grau de aversão que a campanha pode alcançar. "O próprio ministro José Gomes Temporão disse que o objetivo era depreciar ou denegrir a imagem do consumidor de cigarro", diz Dante Letti, presidente da Souza Cruz, líder nacional no mercado de cigarros, com 61% de participação nas vendas das 130 bilhões de unidades consumidas no país. Hoje pela manhã, em Porto Alegre, Letti disse que tomou conhecimento das imagens pelos jornais.
Segundo Letti, a indústria não foi consultada nem informada sobre as novas imagens. "Não são informações que eles estão veiculando para que o consumidor decida se quer fumar ou não. São imagens pejorativas", diz Letti. "Essas imagens ofendem quem optou por fumar". O presidente da Souza Cruz vai avaliar, junto com seu departamento jurídico, as medidas cabíveis, mas quer esperar a notificação oficial sobre as novas imagens a serem utilizadas nas embalagens. Segundo ele, apesar de grotescas, essas imagens causam menos danos à indústria que o preço do cigarro e as campanhas de educação e conscientização. "O preço médio de uma carteira de cigarros há cinco anos era de 1,20 real. Hoje o nosso preço médio é 2,50 reais. Isso sim é um inibidor de consumo num país de baixa renda", diz Letti. Hoje o brasileiro consome 130 bilhões de cigarros por ano. No final dos anos 90, o consumo era de 150 bilhões de unidades.