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Nos últimos anos, são cada vez mais comuns exemplos de empresas de países emergentes galgando posições de destaque no cenário mundial. É o caso dos indianos da Tata Motors, que acabaram de comprar a Jaguar e a Land Rover. Mas não são apenas as companhias que se lançam no exterior que causam dor-de-cabeça às multinacionais dos países desenvolvidos. As companhias emergentes estão cada vez mais fortes também nos seus mercados internos, e um grupo de empresas de primeira linha consegue inclusive manter-se numa confortável liderança em seus segmentos, apesar de todo o poderio de multinacionais que cobiçam seus clientes. O Brasil conta com pelo menos nove empresas nesse time, de acordo com um relatório da consultoria The Boston Consulting Group: a empresa de varejo online B2W, Casas Bahia, Cosan, Gol, Grupo Positivo, O Boticário, Totvs, TV Globo e Votorantim Finanças.
Elas integram um conjunto de 50 empresas de dez países emergentes, e são chamadas pela Boston Consulting de "dínamos locais": aquelas que possuem uma posição de liderança no mercado interno, neutralizando os esforços e os bilhões de dólares de investimentos de seus rivais estrangeiros. Para integrar a lista, as empresas devem ter capital privado, serem fundadas há poucos anos, apresentarem taxas de crescimento vertiginosas, e estarem à frente das multinacionais que assediam seus mercados. O Grupo Positivo, por exemplo, maior fabricante de computadores do Brasil, é lembrado por deter cerca de 18% do mercado, à frente dos 17% de participação combinada da HP e da Dell, dois pesos-pesados do mundo da informática. A Totvs, que lidera o mercado brasileiro de softwares de gestão, com foco nas médias e pequenas empresas, é citada pelo Boston Consulting como um obstáculo respeitável para a expansão dos negócios da alemã SAP no país.
De acordo com a consultoria, os "dínamos locais" sustentam seu sucesso em seis fatores. O primeiro é a oferta de produtos e serviços realmente adequados às necessidades locais. O relatório observa que o erro de muitas multinacionais é importar soluções bem-sucedidas em seu país-natal, mas que não atendem à demanda dos consumidores dos emergentes.