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Há mais de uma década o setor de cartões cresce no Brasil a taxas superiores a dois dígitos. O risco de inadimplência do cheque e a falta de segurança em portar dinheiro vivo funcionam como incentivos naturais para que cada vez mais lojistas passem a aceitar o pagamento com cartão. Nem por isso a relação entre empresas de cartão e comerciantes deixa de ser conflituosa em alguns momentos. Mesmo as grandes empresas de varejo, que possuem maior poder de negociação, já se queixaram dos custos envolvidos na aceitação dos cartões.
Se ainda não mostraram disposição para reduzir acentuadamente as taxas cobradas das lojas, as duas maiores empresas de processamento de transações com cartão, a Visanet e a Redecard, apostam em aumentar as facilidades para a aceitação dos plásticos como forma de acelerar a expansão da base de estabelecimentos credenciados. Desde julho, as lojas não precisam mais ter duas contas bancárias, uma para receber o dinheiro das transações realizadas com Mastercard e outra para a Visa. Além disso, já é possível para o comerciante alugar um só terminal e contratar apenas uma linha telefônica para receber pagamentos das duas bandeiras.
As mudanças já surtem impacto significativo na expansão da rede credenciada. Até junho, o lojista que só tinha conta corrente no Bradesco, Banco do Brasil e Real (os principais acionistas da Visanet) não conseguia receber o dinheiro dos pagamentos realizados com Mastercard (processados pela Redecard). Já quem possuía conta no Itaú, Unibanco e Citibank (acionistas da Redecard) precisava se tornar correntista de outra instituição financeira para receber os pagamentos com cartão Visa (processados pela Visanet). Desde julho, todos os pagamentos já podem ser depositados em uma única conta.