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Montar estratégias baseadas em pares de ações pode ser um bom jeito de obter lucros na bolsa de valores em meio à turbulência que vem causando sudorese e taquicardia nos investidores. O ideal é apostar em dobradinhas de papéis com tendências opostas - enquanto um sobe, outro cai -, mas também é possível ganhar quando ambos caem ou sobem. Essa estratégia é conhecida, no mercado, como long-short, um jargão financeiro que é traduzido livremente como "comprado e vendido". Compra-se (long) um papel com tendência de alta, e vende-se (short) outro com viés de baixa.
Em meados de junho, por exemplo, a corretora do Itaú indicou uma estratégia dessas: comprar ações preferenciais da TAM (TAMM4) e vender as preferenciais da Petrobras (PETR4). O argumento era que a TAM deveria se beneficiar com a tendência de queda do petróleo, pois seus custos com combustível seriam menores. Já a Petrobras seria prejudicada, porque é produtora de petróleo. Entre 16 de junho, quando foi recomendada, e 29 de julho, a estratégia registrava um ganho de 30%. No mesmo período, o Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, apresentou queda de 13,74%, de 67.285 para 58.043 pontos. "Acreditamos que esse par ainda deve gerar mais ganhos", afirmou o banco, em relatório de 30 de julho.
Mesmo quando as duas ações escolhidas caem, é possível lucrar com o investimento. Um caso recente foi a recomendação do Unibanco para outro par de ações. Em meados de julho, o banco sugeriu aos investidores comprar ações ordinárias da CSN e vender as preferenciais da Usiminas. Ambas caíram no período em que a estratégia foi sugerida, mas com intensidade diferente. Os papéis da CSN recuaram 3,4% e os da siderúrgica mineira, 14,8%. O saldo foi um retorno de aproximadamente 11,4%. No mesmo intervalo, o Ibovespa recuou quase 6%. Diante das perspectivas de maiores quedas das ações, o Unibanco recomendou, no início de agosto, que os investidores desmontassem a estratégia e embolsassem o lucro.