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A aquisição da americana Anheuser-Busch pela belgo-brasileira InBev pode ser considerada histórica para o capitalismo brasileiro por diversos motivos. Primeiro porque a empresa resultante da fusão seria a quarta maior companhia de bens de consumo do mundo. Depois porque o negócio foi arquitetado pelos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, hoje os maiores acionistas individuais da Inbev, que há anos sonham em criar a maior cervejaria do mundo. Além disso, o presidente da InBev, o brasileiro Carlos Brito, entraria para o time dos executivos mais poderosos do planeta.
No curto prazo, entretanto, a expectativa de realização do negócio tem gerado severas perdas para os acionistas da InBev e também da AmBev. No caso da empresa brasileira, as ações preferenciais (AMBV4), que chegaram a valer 146,86 reais em março, acumulam uma desvalorização de 35,6%. Nesta quarta-feira, os papéis fecharam cotados a 94,55, o menor valor dos últimos 12 meses.
É verdade que o início do ciclo de aumento da taxa básica de juros da economia brasileira em abril e a turbulência nos mercados globais nas últimas semanas tiveram impacto nas cotações da empresa. Já a elevação do preço das matérias-primas elevou suas despesas. Além disso, os resultados do primeiro trimestre vieram abaixo das expectativas dos analistas. Para Renato Prado, analista da Fator Corretora, no entanto, cerca de 80% da queda das ações pode ser atribuída à oferta apresentada pela InBev à Anheuser-Busch.