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Depois de receber uma injeção de mais de 250 milhões de reais para tentar sair da crise financeira, a Brenco, companhia planejada para ser a maior em etanol e energia renovável do Brasil, procura agora sócios que coloquem, no mínimo, mais 330 milhões de reais no negócio. A quantia é metade do que a Brenco precisa para construir e colocar em funcionamento duas usinas de álcool e geração de energia a partir do bagaço da cana até 2012 no Mato Grosso do Sul. A Brenco ainda busca um sócio para o alcoolduto de 1 100 quilômetros que pretende construir ligando as usinas no centro-oeste a Paulínia, no interior de São Paulo. O empreendimento está orçado em 1,1 bilhão de reais. O banco BBA assessora a empresa.
Já houve negociações com a Rhodia e com a Petrobras, sobre o alcoolduto, mas as conversas não avançaram. O vice-presidente comercial e de logística de Brenco, Rogério Manso, afirma que a busca de sócios não tem relação com as dificuldades financeiras da empresa. “A busca de sócios estava prevista desde o início do projeto. No final, quem vai decidir se a empresa terá mais sócios ou não são os acionistas”, disse Manso.
Esse é o momento mais delicado da curta história da Brenco, que tem como acionistas o ex-presidente do Banco Mundial James Wolfensohn, o fundador da Sun Microsystems, Vinod Khosla, e o BNDES. A empresa foi formada em 2007, quando o executivo Henri Philippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras, começou do zero o projeto de dez usinas na região centro-oeste até 2015.
Depois de captar 1,5 bilhão de reais entre os sócios para a fase inicial do projeto, a empresa viu o planejamento financeiro ser desafiado por uma conjunção entre as consequências da crise financeira internacional e as dificuldades características de desbravar uma região distante dos mercados consumidores e onde nunca se plantou cana-de-açúcar. A crise fez com que os repasses de recursos previstos pelos acionistas ocorressem num ritmo mais lento e que os fornecedores, também em dificuldades, atrasassem a entrega de equipamentos.
Mesmo com menos disponibilidade de recursos, a companhia manteve o plano inicial de plantar 40 mil hectares de cana entre janeiro e maio deste ano - tarefa para a qual foram contratados 3 mil trabalhadores temporários. Mas choveu menos do que esperado, o que dificultou e encareceu ainda mais o plantio. No final de maio, haviam sido plantados apenas 15 mil hectares. “Todas as empresas do setor passaram por problemas nos últimos meses”, diz Rogério Manso, vice-presidente comercial e de logística da Brenco. “Mas nossos preços continuam abaixo da média de mercado”, afirmou.
Ao longo dos últimos cinco meses, a Brenco também atrasou pagamentos de fornecedores de equipamentos e plantadores de cada terceirizados. Essas dívidas somam cerca de 100 milhões de reais. Depois de dois adiamentos, a primeira usina da Brenco (Morro Vermelho, em Goiás), entra em operação em setembro. Mas a segunda (Alto Taquari, no Mato Grosso), prevista para outubro, já foi adiada para janeiro. A situação ficou tão difícil que até a diretoria recebeu atrasados os salários de maio.
O aporte de 250 milhões de reais feito na semana passada serve para cobrir esses gastos extras. Por exigência dos acionistas, o dinheiro será liberado em seis parcelas de pouco mais de 40 milhões de reais, e mesmo assim só depois que os representantes dos sócios conferirem em detalhes como o dinheiro foi gasto e qual o cronograma para a próxima etapa.