A Telefônica não deverá apresentar uma nova proposta de compra à GVT, seguindo a proposta de aquisição da francesa Vivendi de 7,2 bilhões de dólares. Pelo menos isso é o que indica a resposta oficial da assessoria de imprensa da operadora. A respeito da notícia veiculada pela mídia nesta sexta-feira, a "Telefônica manifesta seus melhores desejos de boa sorte à GVT".
Em meados de setembro, a Vivendi se dispôs a pagar 42 reais por ação da GVT. Semanas depois, a Telefônica ofereceu 48 reais por papel, o que posteriormente foi elevado para 50,50 reais. Em nota, Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica disse que essa era a "oferta máxima que poderíamos fazer levando-se em conta as sinergias entre a Telefônica e a GVT". (Valente, aliás teve uma "sexta-feira 13" daquelas: ficou sabendo da notícia pela internet).
O valor oferecido hoje pela Vivendi foi de 56 reais por ação e assegura o controle de 57,5% da GVT -- sendo que 37,9% já estão garantidos e de opção irrevogável para adquirir 19,6%.
Para o advogado especialista em telecom, Guilherme Ieno Costa, do escritório Koury Lopes, a aquisição pela Vivendi é positiva para o mercado e garante maior competitividade. "O melhor para o país seria manter uma operadora independente, e a entrada da Vivendi garante o modelo que foi desenhado na abertura do mercado no fim dos anos 90, com a existência de pelo menos duas empresas brigando pelos clientes", diz.
A GVT oferece telefonia fixa e banda larga nas regiões Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Até o fim do segundo trimestre, a empresa detinha 2,5% do mercado de linhas fixas e 540 864 linhas de banda larga, ou 4,77% de participação. No início de outubro, quando a Telefônica fez a primeira proposta, avaliada em 6,5 bilhões de reais, os analistas já diziam que a movimentação poderia gerar um leilão em torno da operadora.
A desistência da Telefônica -- ainda que seja parcial e apenas indicativa pela nota à imprensa -- representa o segundo baque para a operadora na semana. Na quinta-feira (11/11), foi divulgado um balanço que mostra que a NET ultrapassou a Telefônica na venda de conexões à internet em banda larga. A NET totalizou 2,79 milhões de assinantes do Vírtua, crescimento de 36% em relação ao mesmo período de 2008. A Telefônica detém 2,57 milhões de usuários do Speedy. Se a aquisição da GVT fosse consolidada, a Telefônica voltaria à primeira colocação com 3,4 milhões de assinantes.
Ainda na quinta-feira (11/11), a Anatel havia dado anuência prévia às negociações pela GVT. Com isso, Telefônica e Vivendi teriam carta branca para negociar diretamente com a operadora, ainda que existissem restrições à operadora espanhola, como o compromisso de manter marcas e estruturas corporativas separadas. "Para o modelo de negócios e pela filosofia da GVT, a aquisição pela Vivendi faz muito mais sentido. A GVT sempre teve um perfil muito diferente do que o da Telefônica no que diz respeito à concorrência", afirma Costa.
Em entrevista recente a EXAME, Valente, da Telefônica, afirmou que jogou tudo para adquirir a GVT. "Não fizemos nem auditoria na GVT", afirmou. Se tudo saísse como o planejado, a intenção da Telefônica era fechar a negociação até o fim do ano. "O que importava era a hegemonia do grupo no país", complementa Costa, do escritório Koury Lopes.


