ATUALIZADA ÀS 18H30 - A Telecomunicações São Paulo, subsidiária do Grupo Telefônica no Brasil, enviou nesta quarta-feira (07/10) um comunicado para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também à Bovespa informando que fará uma oferta pública para adquirir a GVT.
A oferta pública para 100% da empresa será feita ao preço de 48 reais por ação, o que totaliza um valor aproximado de 6,5 bilhões de reais. Segundo comunicado ao mercado, "a operação está condicionada à aquisição de pelo menos 51% das ações da GVT, à dispensa da aplicação dos mecanismos de proteção previstos no seu estatuto (poison pills) e à aprovação pela Anatel".
No dia 8 de setembro, a Vivendi do ramo de comunicações e entretenimento, havia firmado um acordo com o Grupo Swarth e Global Village Telecom - acionistas fundadores e controladores da GVT - para lançar uma oferta pública amigável para a aquisição de 100% da GVT ao preço de 42 reais por ação, 12,5% a menos do que a Telefônica ofereceu hoje.
O Grupo Telefônica tem hoje 62,4 milhões de clientes e 85 000 funcionários. Só no Estado de São Paulo, tem 11,5 milhões de linhas fixas. No ano passado, o grupo faturou 15 bilhões de reais. A GVT oferece telefonia fixa e banda larga nas regiões Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Até o fim do segundo trimestre, a empresa detinha 2,5% do mercado de linhas fixas e 540 864 linhas de banda larga, ou 4,77% de participação.
O mercado recebeu bem a notícia da intenção de compra e às 10h30, as ações da GVT na Bovespa subiam 13,2%, cotadas a 46,30 reais -- embora no Twitter a maioria dos comentários seja contrária à aquisição. Os papéis mantiveram a tendência de alta durante todo o dia e fecharam com tendência positiva de 13,74% cotados a 46,52 reais. Procurada pela reportagem, a GVT informou que tomou conhecimento da oferta pelo comunicado a CVM e que vai reunir seu conselho de administração para analisar cada detalhe da proposta.
Na avaliação da Ativa Corretora, caso a venda seja concretizada, representará uma movimentação positiva para a GVT, mas negativa para a Telefônica. Para os acionistas da GVT a vantagem óbvia está no valor da oferta. No entanto, a Telefônica estaria pagando caro pela empresa -- 8,6 vezes a relação de seu valor de mercado e seu EBITDA --, enquanto suas próprias ações são transacionadas por uma relação de 3,7 vezes.
Ainda de acordo com a Ativa, se por um lado a Telefônica adquire uma empresa complementar às suas operações, por outro, pode reduzir significativamente o pagamento de dividendos. A companhia possuía caixa de 934 milhões de reais, com dívida líquida de 2,4 bilhões de reais. A transação de 6,5 bilhões de reais poderá dar espaço para alavancagem adicional e, por isso, a redução possível nos dividendos.
Operadora valorizada
O ágio proposto pela Telefônica, de 31%, surpreendeu o mercado e pode ser interpretado como uma tentativa definitiva de bloquear de vez a venda da GVT outra empresa. E a Telefônica está disposta a pagar tão caro pela operadora principalmente pela presença na região 2, onde não atuava. Com isso, passará a concorrer com operadoras como Oi e Net. Não à toa que o clima é de total otimismo hoje na Telefônica, segundo informou um executivo próximo às negociações.
"A Telefônica sempre teve interesse na GVT, desde a época do IPO. Uma das explicações para esse ágio é que a GVT representa uma oportunidade grande para a Telefônica ganhar presença onde ainda não tem. Outra razão é a tentativa da Telefônica de bloquear de vez a venda para a Vivendi", afirma Julio Püschel, gerente geral do Yankee Group no Brasil.
A Vivendi havia proposto um ágio de 14,3% sobre as ações da GVT e via na aquisição uma possibilidade interessante para entrar no mercado brasileiro. Para alguns analistas, porém, apesar do alto valor oferecido pela Telefônica, é possível surgirem novas propostas pela GVT, gerando praticamente um leilão em torno da operadora.
A GVT faz sentido para a Telefônica nem tanto pela capilaridade da rede, mas pela qualidade e por ter uma infraestrutura de fibra mais próxima do ponto de acesso do usuário -- a chamada fiber to the home. Essa estrutura, geralmente cara de ser implantada, permite altas velocidades de acesso à internet. "A GVT não tem levado pacotes de internet com mínimo de 10 MB nos lugares onde atua e com velocidades reais bem próximas disso. A Telefônica pode aproveitar essa iniciativa", diz Püschel.
A iniciativa de comprar a GVT, porém, vai muito além dos investimentos de 6,5 bilhões de reais. Segundo o analista, novos investimentos serão necessários para integrar a rede da GVT e aumentar a capilaridade e estrutura de última milha.
A gigante americana Amazon anunciou nesta quarta-feira (07/10) as vendas de seu leitor digital Kindle para outros países além dos Estados Unidos, incluindo o Brasil.
Segundo a empresa, os interessados poderão comprar o aparelho a partir do dia 19 -- a pré-reserva já está no ar. Estão disponíveis mais de 290 000 livros em inglês para o Kindle, além de jornais e revistas que podem ser transmitidos pela rede 3G sem fio também no Brasil. Uma das novidades é o acesso ao jornal O Globo em português que pela primeira vez integra a biblioteca da Amazon, junto com o La Stampa (Itália), El País (Espanha), El Universal (México) e The Daily Telegraph (Reino Unido). O acesso a blogs não estarão disponíveis neste momento para o Brasil.
O preço cobrado pela Amazon para o Kindle é de 279 dólares para o Kindle wireless e 259 dólares pelo modelo sem a funcionalidade de acesso sem fio (que graça teria?). Mas a empresa deixa claro que o aparelho ainda estará submetido às taxas de importação locais e de envio, de 20 dólares. A tarifa de importação para o Brasil chega a cerca de 290 dólares. Isso significa quase 600 dólares -- ou 1030 reais -- por um Kindle entregue na porta da casa do brasileiro.
Estima-se que até a metade do ano a Amazon tenha vendido 240 000 unidades do Kindle - além das 700 000 unidades comercializadas desde o lançamento -- e que até o fim de 2010 chegará a 1,2 bilhão de dólares em faturamento com o aparelho. Mas mesmo com as cifras elevadas, isso não quer dizer que o papel tende a sumir, ao menos não por enquanto.


