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Telefônica faz oferta de R$ 6,5 bi para comprar a GVT
Por Camila Fusco | 07/10/2009 - 10:40

ATUALIZADA ÀS 18H30 - A Telecomunicações São Paulo, subsidiária do Grupo Telefônica no Brasil, enviou nesta quarta-feira (07/10) um comunicado para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também à Bovespa informando que fará uma oferta pública para adquirir a GVT.

A oferta pública para 100% da empresa será feita ao preço de 48 reais por ação, o que totaliza um valor aproximado de 6,5 bilhões de reais. Segundo comunicado ao mercado, "a operação está condicionada à aquisição de pelo menos 51% das ações da GVT, à dispensa da aplicação dos mecanismos de proteção previstos no seu estatuto (poison pills) e à aprovação pela Anatel".

No dia 8 de setembro, a Vivendi do ramo de comunicações e entretenimento, havia firmado um acordo com o Grupo Swarth e Global Village Telecom - acionistas fundadores e controladores da GVT - para lançar uma oferta pública amigável para a aquisição de 100% da GVT ao preço de 42 reais por ação, 12,5% a menos do que a Telefônica ofereceu hoje.

O Grupo Telefônica tem hoje 62,4 milhões de clientes e 85 000 funcionários. Só no Estado de São Paulo, tem 11,5 milhões de linhas fixas. No ano passado, o grupo faturou 15 bilhões de reais. A GVT oferece telefonia fixa e banda larga nas regiões Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Até o fim do segundo trimestre, a empresa detinha 2,5% do mercado de linhas fixas e 540 864 linhas de banda larga, ou 4,77% de participação.

O mercado recebeu bem a notícia da intenção de compra e às 10h30, as ações da GVT na Bovespa subiam 13,2%, cotadas a 46,30 reais -- embora no Twitter a maioria dos comentários seja contrária à aquisição. Os papéis mantiveram a tendência de alta durante todo o dia e fecharam com tendência positiva de 13,74% cotados a 46,52 reais. Procurada pela reportagem, a GVT informou que tomou conhecimento da oferta pelo comunicado a CVM e que vai reunir seu conselho de administração para analisar cada detalhe da proposta.

Na avaliação da Ativa Corretora, caso a venda seja concretizada, representará uma movimentação positiva para a GVT, mas negativa para a Telefônica. Para os acionistas da GVT a vantagem óbvia está no valor da oferta. No entanto, a Telefônica estaria pagando caro pela empresa -- 8,6 vezes a relação de seu valor de mercado e seu EBITDA --, enquanto suas próprias ações são transacionadas por uma relação de 3,7 vezes.

Ainda de acordo com a Ativa, se por um lado a Telefônica adquire uma empresa complementar às suas operações, por outro, pode reduzir significativamente o pagamento de dividendos. A companhia possuía caixa de 934 milhões de reais, com dívida líquida de 2,4 bilhões de reais. A transação de 6,5 bilhões de reais poderá dar espaço para alavancagem adicional e, por isso, a redução possível nos dividendos.

Operadora valorizada

O ágio proposto pela Telefônica, de 31%, surpreendeu o mercado e pode ser interpretado como uma tentativa definitiva de bloquear de vez a venda da GVT outra empresa. E a Telefônica está disposta a pagar tão caro pela operadora principalmente pela presença na região 2, onde não atuava. Com isso, passará a concorrer com operadoras como Oi e Net. Não à toa que o clima é de total otimismo hoje na Telefônica, segundo informou um executivo próximo às negociações.

"A Telefônica sempre teve interesse na GVT, desde a época do IPO. Uma das explicações para esse ágio é que a GVT representa uma oportunidade grande para a Telefônica ganhar presença onde ainda não tem. Outra razão é a tentativa da Telefônica de bloquear de vez a venda para a Vivendi", afirma Julio Püschel, gerente geral do Yankee Group no Brasil. 

A Vivendi havia proposto um ágio de 14,3% sobre as ações da GVT e via na aquisição uma possibilidade interessante para entrar no mercado brasileiro. Para alguns analistas, porém, apesar do alto valor oferecido pela Telefônica, é possível surgirem novas propostas pela GVT, gerando praticamente um leilão em torno da operadora.

A GVT faz sentido para a Telefônica nem tanto pela capilaridade da rede, mas pela qualidade e por ter uma infraestrutura de fibra mais próxima do ponto de acesso do usuário -- a chamada fiber to the home.  Essa estrutura, geralmente cara de ser implantada, permite altas velocidades de acesso à internet. "A GVT não tem levado pacotes de internet com mínimo de 10 MB nos lugares onde atua e com velocidades reais bem próximas disso. A Telefônica pode aproveitar essa iniciativa", diz Püschel.

A iniciativa de comprar a GVT, porém, vai muito além dos investimentos de 6,5 bilhões de reais. Segundo o analista, novos investimentos serão necessários para integrar a rede da GVT e aumentar a capilaridade e estrutura de última milha.

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Amazon libera vendas do Kindle para o Brasil
Por Camila Fusco | 07/10/2009 - 08:40

A gigante americana Amazon anunciou nesta quarta-feira (07/10) as vendas de seu leitor digital Kindle para outros países além dos Estados Unidos, incluindo o Brasil.

Segundo a empresa, os interessados poderão comprar o aparelho a partir do dia 19 -- a pré-reserva já está no ar. Estão disponíveis mais de 290 000 livros em inglês para o Kindle, além de jornais e revistas que podem ser transmitidos pela rede 3G sem fio também no Brasil. Uma das novidades é o acesso ao jornal O Globo em português que pela primeira vez integra a biblioteca da Amazon, junto com o La Stampa (Itália), El País (Espanha), El Universal (México) e The Daily Telegraph (Reino Unido). O acesso a blogs não estarão disponíveis neste momento para o Brasil.

O preço cobrado pela Amazon para o Kindle é de 279 dólares para o Kindle wireless e 259 dólares pelo modelo sem a funcionalidade de acesso sem fio (que graça teria?). Mas a empresa deixa claro que o aparelho ainda estará submetido às taxas de importação locais e de envio, de 20 dólares. A tarifa de importação para o Brasil chega a cerca de 290 dólares. Isso significa quase 600 dólares -- ou 1030 reais -- por um Kindle entregue na porta da casa do brasileiro.

Estima-se que até a metade do ano a Amazon tenha vendido 240 000 unidades do Kindle - além das 700 000 unidades comercializadas desde o lançamento -- e que até o fim de 2010 chegará a 1,2 bilhão de dólares em faturamento com o aparelho. Mas mesmo com as cifras elevadas, isso não quer dizer que o papel tende a sumir, ao menos não por enquanto.

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Sérgio Teixeira Jr.
Editor executivo de Exame, escreve sobre as novidades no mundo da tecnologia.


Camila Fusco
Repórter da editoria de Tecnologia da revista EXAME.




Luiza Dalmazo
Repórter da editoria de Tecnologia da revista EXAME.
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